No Governo Lula dizia-se muito que o presidente brasileiro gostaria de ajudar o maior número possível de municípios e estados, porém a dificuldade era justamente a falta de organização, planejamento e até competência dos gestores municipais e estaduais na elaboração de projetos para a captação dos recursos federais disponíveis [ainda] em abundância.
Tanto que recordo-me do contato que tive com André Puccinelli logo após ele ter sido empossado para o primeiro mandato no Governo de Mato Grosso do Sul, em meados de fevereiro de 2007 quando, questionado sobre isso, o governador disse-me que já tinha mentalizado a formação de um escritório apenas para cuidar dos projetos de interesse do Estado.
Foi assim, por exemplo, que deu-se a assinatura dos maiores contratos para obras de saneamento, através da Sanesul, com recursos do PAC, menina dos olhos do presidente da empresa, o advogado José Carlos Barbosa, lembrando que a própria ministra [na época, a mãe do PAC] Dilma Rousseff ficou surpresa ao constatar que MS havia saído na frente de grandes gigantes da federação.
Da mesma forma, esse é o desafio atual para o prefeito de Dourados. Elaborar projetos bem fundamentados, encaminhar para o destino correto e saber escolher os interlocutores na esfera federal que sejam capazes de conduzir a tramitação de forma que o dinheiro assegurado para essa finalidade não se desvie pelo meio da estrada.
Até porque, hoje sabe-se muito bem que os ralos da corrupção chegaram a ficar entupidos por amontoados de papéis, e a má fé de quem os carregava, de forma a fazer com que Brasília despejasse dinheiro pelos Estados e Municípios afora e alguns espertalhões, inclusive donos de mandato, se transformassem em senhores feudais dos votos.