Petistas desalojados do poder depois de oito anos no comando do Município e que tiveram a chance de voltar a sentir o gostinho, após a ampla aliança conduzida pelo prefeito Murilo Zauith, aproveitaram o final de semana para tentar preservar os espaços readquiridos e salvar a eventual continuidade desse projeto para as eleições futuras.
Foi o que se viu com a passagem do senador Delcídio do Amaral pela cidade. Aproveitando o ‘programa de índio’ da agenda do principal líder petista de Mato Grosso do Sul na atualidade [Delcídio veio confirmar a formatura da primeira turma de professores indígenas no curso de Licenciatura oferecido pela UFGD], petistas de todas as tendências locais conseguiram se achegar, com menos receio, ao prefeito.
A oportunidade, aliás, oferecida pelos dois [o prefeito e o senador], significa mais um gesto de que Murilo deseja continuar compartilhando projetos socializantes, sem deixar de se fazer entender como o principal condutor da situação herdada após o ‘furacão’ que tornou e ainda ameaça tornar inelegíveis muitos dos que tentaram se locupletar com o suado dinheiro do contribuinte douradense.
Delcídio e Murilo se comportam como bons diplomatas no campo político. O primeiro deseja ser governador do MS após a “era André” e o segundo, até pouco tempo vice justamente do André, deseja continuar prefeito de Dourados pelos próximos quatro anos, a partir de outubro do ano que vem. O PT de um e o PSB do outro tem projetos bem afinados para o futuro, inclusive no plano nacional.
Certamente por essa condição é que os desalojados petistas observaram, tão atentamente, o beijo que o senador aplicou, ternamente, na moradora do Jardim Clímax, em Dourados, dona Aparecida Ferreira, que esperou tantos mandatos, inclusive os oito do PT, para deixar a condição de favelada e agora, justamente na aliança PSB/PT, vai ganhar a casa própria.
A visita senatorial, e alguns poucos momentos de conversa ao pé-do-ouvido, foi uma boa oportunidade para vislumbrar a perspectiva de manter-se na aliança futura, desde que somadas as dimensões de alguns ‘pecadilhos’ cometidos até aqui, todos diplomaticamente contidos pelo prefeito que já avisou: é possível continuar caminhando juntos, mas sabendo onde se pretende chegar e sem descuidar do perigo que ronda os ocupantes do poder [ficar sem ele].