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Entidades lutam pela legalização do aborto no Brasil

28 de setembro 2010 - 17h20 Por Redação Douranews, com Agência Brasil
Entidades lutam pela legalização do aborto no Brasil
Como parte das atividades do “Dia Latino Americano pela Despenalização do Aborto”, diversas entidades feministas lançaram hoje (28), a “Plataforma para a Legalização do Aborto no Brasil”. O texto do documento traz diversos argumentos pela descriminalização, com base na defesa dos direitos humanos, defesa dos direitos das mulheres e em dados da Saúde Pública, conforme explicou a coordenadora do grupo feminista pernambucano “Curumim”, Paula Viana.

Para ela, “os países que criminalizam o aborto são os mesmos que registram um grande número de mortes maternas, atendimento precário para situação de abortamento e violações dos direitos humanos”, afirma.

Paula destaca ainda que o objetivo da plataforma é reduzir a mortalidade materna, estimular o planejamento familiar e, inclusive, reduzir o número de abortos. “Não somos a favor do aborto, gostaríamos que diminuíssem, mas queremos que o Brasil se iguale a outros países desenvolvidos. Quem critica o aborto são os grupos religiosos fundamentalistas”, critica.

A plataforma defende a retirada da prática de aborto do Código Penal brasileiro e a garantia do atendimento, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a mulheres que por livre decisão queiram interromper a gestação até a 12ª semana. O documento também prevê o atendimento público para abortos, até a 20ª semana, em casos de gravidez resultante de violência sexual.

De acordo com o texto, o aborto é o último recurso das mulheres diante de uma gravidez indesejada e a criminalização não impede que ele seja realizado nem reduz sua incidência, mas aumenta as condições de risco de vida para as mulheres, em especial para as mulheres mais pobres.

O documento será encaminhado a diversas organizações que integram a Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. Entidades profissionais de médicos, enfermeiros e juristas, além de parlamentares, também receberão o texto. O intuito é sensibilizar essas categorias a respeito do tema e buscar adesões e contribuições para a elaboração de uma lei que descriminalize o aborto e regulamente a assistência gratuita à saúde.

A plataforma foi lançada hoje (28) em Recife durante um ato público. O evento foi promovido pelo Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE), pela Frente contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto e Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).