De cada quatro brasileiros, um afirma que não deixaria de usar o carro como principal meio de locomoção nos seus deslocamentos diários, mesmo que o transporte público fosse eficiente. O dado consta na pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que ouviu 2,7 mil pessoas em todo o país.
Com a frota nacional de carros chegando perto dos 40 milhões, isso significa que pelo menos 9 milhões de motoristas não estariam dispostos a deixar o carro na garagem em hipótese nenhuma.
Entre as razões apontadas pelos brasileiros que não trocariam o transporte individual pelo coletivo de maneira alguma estão a comodidade, a rapidez e o conforto de poder escolher os horários para ir e voltar do trabalho. Além disso, o transporte coletivo é muito mal avaliado.
Apesar de 44% dos entrevistados afirmarem usar o transporte coletivo como principal meio de locomoção, 39% acham que ele é ruim ou muito ruim. Outros 31% avaliam que o serviço é regular. Entre as principais reclamações estão a falta de rapidez, comodidade e conforto, além do preço alto.
O transporte individual (carro ou moto) é o principal meio de locomoção de 36% dos brasileiros no levantamento do Ipea. Outros 19% usam bicicleta ou vão a pé.
Diretor de estilo de uma agência de moda, Diogo Brasiliano é um exemplo do grupo que não aceita migrar para os ônibus ou metrô. “Comprei o carro há três anos, quando tive uma filha, e nunca mais andei de ônibus ou metrô. Era muito estressante.”
Agora, em veículo próprio, Brasiliano enfrenta a lentidão no trânsito. Segundo ele, o trajeto entre a Mooca, onde mora, e o trabalho, em São Caetano, demora até 50 minutos. “Minha vida melhorou 90% com o carro, mas ainda perco muito tempo em congestionamentos”, diz.
O estudo do Ipea mostra que, como Brasiliano, 36% dos brasileiros enfrentam congestionamentos pelo menos uma vez ao dia. Para Marcos Bicalho, superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), o preço e a má qualidade dos transportes públicos afastam as pessoas.
De acordo com ele, “seria desejável que existissem políticas que incentivassem as pessoas a usarem meios de transporte coletivo, já que hoje as políticas são sempre a favor do automovel”.