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Cortes atingem menor faixa de renda do Minha Casa, Minha Vida

02 de março 2011 - 19h23 Por Redação Douranews, com Ig
Cortes atingem menor faixa de renda do Minha Casa, Minha Vida

Os cortes de recursos do programa Minha Casa, Minha Vida atingirão os empreendimentos destinados a famílias com renda entre zero e três salários mínimos. A verba da União é utilizada exclusivamente na construção de imóveis para esse público, que respondem por 60% da meta do governo de construção de 2 milhões de unidades entre 2011 e 2014, período em que o programa entra na sua segunda fase. O governo anunciou nesta segunda-feira uma redução de R$ 5 bilhões no orçamento do Minha Casa, Minha Vida deste ano, economia que faz parte de um corte de R$ 50 bilhões feito nos gastos previstos para 2011.

O Minha Casa, Minha Vida também oferece crédito com condições especiais para famílias com renda entre três e dez salários mínimos, mas esse segmento recebe do FGTS e não será afetado pela redução do Orçamento. A maioria das incorporadoras, como MRV, Rossi e Tenda, oferecem produtos para este segmento.

O setor imobiliário temia uma “parada técnica” na liberação de recursos do programa no início do ano pela necessidade de aprovação do Minha Casa, Minha Vida 2, e antecipou os lançamentos no fim do ano passado, de acordo com o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), João Crestana. “As empresas aceleraram os projetos no fim do ano passado para atender também a demanda do primeiro trimestre deste ano”, diz Crestana.

Para ele, o setor imobiliário “levou um susto” ao receber a notícias de cortes no programa, mas, agora as incorporadoras já entendem que os recursos aprovados para 2011 e os que sobraram de 2010 serão suficientes para atender a demanda deste ano.

Há um excedente de R$ 9,5 bilhões do orçamento de 2010 do Minha Casa, Minha Vida que não foi utilizado e que poderá ser contratado neste ano, de acordo com informações do Ministério das Cidades. Os demais recursos do orçamento de 2011 só poderão ser utilizados após a aprovação no Congresso da medida provisória que cria a segunda fase do Minha Casa, Minha Vida. A previsão do governo é que texto seja votado a partir de abril.

As famílias com renda até três salários mínimos são proprietárias de 57% das 1 milhão de unidades contratadas em 2010, de acordo com informações da Caixa Econômica Federal. Ao todo, 483.741 moradias receberam verbas do Orçamento Geral da União – outras 91.133 foram financiadas com recursos do FGTS.

As famílias interessadas em comprar unidades dentro do Minha Casa, Minha Vida ainda poderão receber o benefício. Para isso, elas devem procurar as construtoras que oferecem imóveis enquadrados no programa e os bancos que liberam o financiamento com subsídio.

Dinheiro não é o problema

O maior entrave para o lançamento de unidades destinadas a população com renda familiar de até três salários mínimos é o limite fixado para a avaliação dos imóveis, de acordo com Crestana. Os valores variam em cada município, mas um apartamento pode custar, no máximo, R$ 52 mil.

“Não conseguimos viabilizar projetos com este teto de preços”, afirmou o presidente da MRV, Rubens Menin. A construtora atendeu ao pedido do governo e chegou a lançar unidades neste segmento no ano passado, mas, este ano, vai se concentrar nos imóveis destinados a família com renda entre três e dez salários mínimos.

A MRV pretende lançar 45 mil unidades neste ano, 85% delas dentro do Minha Casa, Minha Vida, mas nenhuma para o segmento de zero a três salários mínimos. “Se houver uma mudança no teto, pode ser que a gente consiga viabilizar algum empreendimento para essa faixa de renda”, diz.

O setor imobiliário já conseguiu negociar um aumento dos tetos para os imóveis destinados a faixa de renda seguinte. A partir de abril, será possível financiar imóveis com recursos do FGTS com valores até R$ 170 mil. Hoje, o teto para as maiores cidades do país é de até R$ 130 mil.