O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, vai se reunir nesta terça-feira com representantes das centrais sindicais para tratar dos recentes tumultos em obras que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os conflitos e greves têm preocupado a presidente Dilma Rousseff, que escalou Carvalho para lidar com o tema.
O ministro possui bom trânsito com movimentos sociais e tem mantido conversas com representantes de classe. A principal preocupação do governo é que uma reação em cadeia possa paralisar as obras no setor de energia, estratégico para o Planalto.
As obras das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, estão suspensas há mais de uma semana. A paralisação foi iniciada após um tumulto no canteiro de Jirau, que provocou a destruição de parte dos alojamentos dos operários. Na sequência dos tumultos nas duas usinas, os trabalhadores da Usina de São Domingos, em Mato Grosso do Sul, também se revoltaram: na semana passada, houve quebra-quebra entre os operários contratados para as obras da usina, no limite dos municípios de Água Clara e Ribas do Rio Pardo. Os seis pavilhões usados como alojamento foram incendiados.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), já informou que vai propor ao governo a adoção de um acordo coletivo nacional para os trabalhadores de obras do PAC. "Estamos fazendo uma tentativa para resolver os problemas nos canteiros de obras e também consertar para o futuro", afirmou o deputado, na segunda-feira, à agência de notícias Reuters.
Ele explicou que a idéia é fazer um acordo nacional que padronize os salários dos operários de obras do PAC e criar uma comissão tripartite envolvendo governo, sindicatos e empresas para fiscalizar as condições de trabalho nas obras.
Na última quarta-feira, o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Arthur Henrique, se reuniu com Carvalho para pedir intervenção direta do governo na solução dos problemas nos canteiros de obras das empreiteiras que participam da construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio e demais obras que recebem recursos do governo, espalhadas pelo país.
Participam da reunião desta terça, além dos sindicalistas, representantes de empreiteiras e do Ministério Público. Serão discutidas as condições de trabalho das obras do PAC, não só em Jirau e Santo Antônio, mas em todas as obras programadas para a Copa do Mundo, Olimpíada, Programa Minha Casa, Minha Vida e Trem Bala, entre outras.