Enquanto isso, o faturamento com a venda de fragrâncias em território americano permaneceu na casa dos R$ 8,5 bilhões (US$ 5,3 bi) no ano passado. Os valores foram transformados de dólar para real a partir do valor das duas moedas nesta quinta-feira (US$ 1 valendo R$ 1,62).
Há, porém, uma distorção nos números da consultoria: além do crescimento do mercado nacional, eles são influenciados pela valorização do real, que favorece o Brasil na comparação com outros mercados, cujas compras de perfumes são feitas em dólar.
Segundo dados do Sipatesp, sindicato das indústrias de perfumaria e cosméticos, as vendas das duas categorias no país subiram 18,4% em 2010.
Segundo Marcel Motta, analista responsável pelo levantamento da Euromonitor, o consumo de perfumes no Brasil se concentra principalmente em marcas populares, que respondem hoje por mais de 9 em cada 10 perfumes vendidos (93% do total).
As líderes do setor, de acordo com a consultoria, são Natura e O Boticário, que, juntas, vendem 6 em cada 10 frascos (60% de participação de mercado).
Apesar do forte crescimento, as empresas de perfume ainda têm um terreno inexplorado a conquistar. A diretora de marketing e vendas de O Boticário, Andréa Mota, diz que, atualmente, 6 em cada 10 brasileiros (ou 61%) usam algum tipo de perfume.
Ou seja: há quase 4 em cada 10 consumidores em potencial.
A proporção está mais ligada a costumes regionais do que à renda: no Nordeste, diz ela, cerca de 90% das famílias usam algum tipo de perfume, enquanto no Sul a proporção é bem mais baixa, de 40%.
Para a gerente de perfumaria da Natura, Denise Coutinho, é importante que as empresas saibam identificar tendências regionais: no Nordeste, por exemplo, as colônias tipo splash - que ficam menos tempo na pele - dominam as vendas.
- É uma questão cultural. No Nordeste, as pessoas tomam vários banhos por dia. Então, não é preciso que o perfume permaneça por 12 ou 24 horas.