O pedido foi encaminhado pela Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), que mandou uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e à Camex (Câmara de Comércio Exterior).
Conforme levantamento da entidade, o sistema de licenciamento não automático imposto pela Argentina às importações prejudica 8 dos 10 principais segmentos exportadores do Estado, entre eles os de calçados, máquinas agrícolas, alimentos, móveis, metal mecânico e automotivo.
Nesta semana, o governo brasileiro decidiu impor barreiras à importação de carros, principal item exportado pela Argentina ao Brasil. A medida tem como objetivo forçar o país a abrir mão das medidas protecionistas.
Conforme o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, 12% dos embarques do Estado estão prejudicados pelas barreiras argentinas, que já impediram a comercialização de aproximadamente US$ 200 milhões neste ano.
Em 2010, o Rio Grande do Sul teve saldo negativo de US$ 1,8 bilhão na balança comercial com a Argentina (o Brasil teve saldo positivo de R$ 4 bilhões).
O país vizinho é o segundo destino das exportações gaúchas, atrás apenas da China. Em 2009, o Rio Grande do Sul vendeu US$ 2,12 bilhões 14% do total aos vizinhos. Em 2010, este número caiu para US$ 1,6 bilhão, 10,9% das exportações gaúchas.
Segundo Tigre, parte da indústria já está demitindo funcionários e planeja transferir produção e operações em razão das dificuldades na exportação.
Na carta enviada ao ministério, o dirigente afirma que estão sendo perdidos "empresas e empregos brasileiros".
À Folha, ele afirmou que as dificuldades em negociar com a Argentina não são recentes. "Nós vivemos esta situação problemática há muitos anos. No setor calçadista, já faz uma década. Os compromissos do governo argentino nunca são cumpridos. Acreditamos que o governo federal está agindo bem ao endurecer o jogo".
Ainda segundo ele, atualmente cerca de 800 empresas gaúchas tem relações comerciais com o país vizinho.
"Fizemos um levantamento com 70 empresas do Estado e 80% delas estavam tendo problemas com a Argentina", disse.