Grupo denominado "Fatal Error Crew" também reivindicou o ataque que tirou do ar site da presidência no dia da posse de Dilma
O grupo denominado Fatal Error Crew quebrou a segurança de um site do Exército brasileiro e roubou dados como nomes, CPFs, endereços de e-mail e logins de cerca de mil militares ligados ao programa de abastecimento de água no Nordeste, que é gerido pela corporação em parceria com o governo.
A captura dos dados foi divulgada pelo grupo em seu twitter e em e-mail à imprensa. De acordo com eles, a intenção era mostrar a vulnerabilidade dos servidores do Exército. Tal justificativa também foi usada pelo grupo em janeiro, quando atacou e tirou do ar o site da presidência da República no dia da posse da presidenta Dilma Rousseff.
Apesar de mostrar as falhas de segurança, o grupo não é considerado hacker, mas sim cracker. O primeiro busca falhas de segurança e as expõe para chamar a atenção a problemas. O segundo promove uma série de ações maliciosas, entre elas o ‘defacement’, que consiste em alterar sites atacados, e o DDOs (negação de serviço), quando direcionam computadores zumbis para a conexão a uma mesma página, tirando-a do ar devido ao tráfego maior do que o servidor pode aguentar.
De acordo com o coronel Luís Gonçalves, responsável pela implantação do Núcleo de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, que entrará em plena operação no segundo semestre do ano, o ataque não comprometeu informações críticas da corporação.
“Eles atingiram um servidor compartimentado, não acessaram o sistema corporativo do Exército. Todo o dia sofremos cerca de 30 mil ataques, essa foi a primeira vez que conseguiram. Mas, repito, num sistema periférico e sem ligação com nossos servidores”, disse.
De acordo com ele, a página invadida divulgava informações às prefeituras sobre os municípios que seriam atendidos pelo programa de abastecimento de água. “Lá era visto quando e onde estariam os caminhões pipa”, disse.
Perícia forense digital
O site saiu do ar para o que o coronel chama de “perícia forense digital”. “Vamos tentar descobrir de onde veio o ataque, o que é muito difícil. O principal é perceber a falha de segurança e fechar a porta”.
Ele ainda disse que um problema como esse reforça a diretriz do ministério da Defesa, que promoveu a criação do Centro de Defesa Cibernética do Exército. “Esse caso só mostra que temos que seguir investindo em nossa defesa cibernética”.