Mais seis funcionários foram afastados do Ministério dos Transportes. O Congresso quer explicações do novo ministro sobre obras superfaturadas. O PSDB não quer esperar o fim do recesso e quer ouvir o ministro Paulo Sérgio Passos já nos próximos dias. Para a oposição ele pode esclarecer muitas coisas, já que estava à frente do Ministério nos últimos seis meses do ano passado, quando foram aprovados vários aditivos que aumentaram o valor das obras. Desde que as denúncias de superfaturamento começaram a ser divulgadas, no início do mês, 12 funcionários já foram demitidos do Ministério dos Transportes.
O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, começou a fazer as mudanças prometidas quando assumiu o cargo, na semana passada. Afastou mais seis servidores ligados ao secretário-geral do Partido da República, deputado Valdemar Costa Neto, e ao ex-ministro Alfredo Nascimento. Quatro assessores do Ministério e dois funcionários do Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
As demissões foram determinadas pela presidente Dilma Rousseff de acabar com a influência que o PR, Partido da República, tinha no Ministério. O próximo a deixar o cargo deve ser o diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, que saiu de férias assim que surgiram as primeiras denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes.
Outro que deve ser afastado é Hideraldo Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, ligado ao PT. Os ajustes anunciados pelo novo ministro não convenceram a oposição. O PSDB quer que Paulo Sérgio Passos seja convocado para depor no Congresso e explique os aumentos de mais de R$ 700 milhões nos contratos das obras de transportes no segundo semestre do ano passado, quando comandou o Ministério.
“Ele está sob suspensão, ele, na minha opinião, sabia de tudo, se não sabia de tudo, ou pelo menos em parte, pode demonstrar que é uma pessoa ingênua, que não merece estar no cargo que ocupa”, afirma o deputado Duarte Nogueira, líder do PSDB-SP.
O governo ainda decidiu retirar a indicação de Augusto Cesar Carvalho Barbosa de Souza para o cargo de diretor de Administração e Finanças do Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Ele foi uma indicação do ex-ministro Alfredo Nascimento.