O sociólogo e fundador da entidade de cooperação Coletivo Brasil Catalunya participará hoje (20) de um ciclo de conferências na Casa da América, em Barcelona, dedicadas a analisar a figura do ex-presidente, desde seu início na vida política como sindicalista até o fim de seu segundo mandato, com 80% de popularidade.
"Sua política não se baseou nas classes sociais. Não tinha espírito revolucionário, mas reformista. Assim, tirou 18 milhões de brasileiros da pobreza e fez mais pelo país que todos os outros presidentes juntos", disse Carvalho em entrevista concedida à Agência Efe.
Esta popularidade, moldada à base de políticas afins aos movimentos sociais e à proximidade com os cidadãos, voltou a colocar o Brasil no mapa da geopolítica internacional.
Segundo o especialista, o país está entre Oriente e Ocidente, entre o norte e sul. "Lula aproveitou esta situação e colocou o Brasil como um enlace entre estas duas realidades. Além disso, prestou especial atenção ao terceiro mundo", avaliou.
Esta importância em nível internacional rendeu-lhe a organização de uma Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, os dois desafios futuros do país, e fez com que sua popularidade aumentasse ainda mais, acrescenta.
Este prestígio do ex-presidente explica, segundo a opinião de Carvalho, o fato de ter "conseguido" eleger sua sucessora, uma mulher que lutou contra a ditadura, que é filha de imigrantes e que nunca tinha tido experiência em uma eleição.
Este crescimento e desenvolvimento do país tem uma contrapartida: "Os brasileiros acham que o futuro já chegou. Eles têm a sensação que tudo está terminado, e a sociedade tem que lutar para regular todos os problemas que ainda existem, como a grande desigualdade social", adverte o sociólogo.
O ciclo dedicado a Lula na Casa América de Barcelona inclui a projeção de vários documentários e filmes sobre a história recente do Brasil e a figura do ex-presidente, assim como mesas-redondas e conferências de especialistas em política e sociologia.