Criado para substituir um órgão que o próprio governo considerava incompetente, falido e corrupto, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) está prestes a completar dez anos repetindo falhas de seu antecessor.
Sem pessoal e equipamento, o órgão continua sendo presa fácil para a corrupção, como foi seu originário, o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), extinto em 2001.
Com o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em 2006, o orçamento do Dnit quintuplicou, alcançando hoje perto dos R$ 13 bilhões ao ano.
Mas o dinheiro só cresceu para as obras. Não houve investimento em melhorias no órgão para acompanhar esse crescimento, principalmente na área de projetos, ponto central de sua estrutura.
A falta de um bom projeto é em geral o motivo para que uma obra aumente de preço, exigindo aditivos para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados.
Tampouco houve grande renovação de pessoal. Dos 2.646 servidores, 70% são oriundos do antigo órgão. Em dez anos, apenas 746 novos servidores entraram.
E o número de concursados que pede demissão por falta de condições de trabalho e baixos salários é maior do que o que entra ano a ano.
Além de não haver pessoal para fiscalizar, não há equipamentos. Em inspeção realizada em 2009, o TCU afirmou que o órgão não tinha "condições de realizar a maioria dos chamados ensaios elementares de laboratório" para constatar a qualidade dos produtos usados pelas empreiteiras.
O órgão de controle determinou a compra de dezenas de equipamentos. Mas, no ano de 2010, o Dnit gastou com isso apenas 0,03% do orçamento total. Metade foi para carros, móveis e utensílios domésticos.