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Dez anos após criação, Dnit repete falhas que deveria resolver

25 de julho 2011 - 13h05 Por Redação Douranews, com Folha.com
Dez anos após criação, Dnit repete falhas que deveria resolver

Criado para substituir um órgão que o próprio governo considerava incompetente, falido e corrupto, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) está prestes a completar dez anos repetindo falhas de seu antecessor.

Sem pessoal e equipamento, o órgão continua sendo presa fácil para a corrupção, como foi seu originário, o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), extinto em 2001.

Com o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em 2006, o orçamento do Dnit quintuplicou, alcançando hoje perto dos R$ 13 bilhões ao ano.

Mas o dinheiro só cresceu para as obras. Não houve investimento em melhorias no órgão para acompanhar esse crescimento, principalmente na área de projetos, ponto central de sua estrutura.

A falta de um bom projeto é em geral o motivo para que uma obra aumente de preço, exigindo aditivos para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados.

Tampouco houve grande renovação de pessoal. Dos 2.646 servidores, 70% são oriundos do antigo órgão. Em dez anos, apenas 746 novos servidores entraram.

E o número de concursados que pede demissão por falta de condições de trabalho e baixos salários é maior do que o que entra ano a ano.

Além de não haver pessoal para fiscalizar, não há equipamentos. Em inspeção realizada em 2009, o TCU afirmou que o órgão não tinha "condições de realizar a maioria dos chamados ensaios elementares de laboratório" para constatar a qualidade dos produtos usados pelas empreiteiras.

O órgão de controle determinou a compra de dezenas de equipamentos. Mas, no ano de 2010, o Dnit gastou com isso apenas 0,03% do orçamento total. Metade foi para carros, móveis e utensílios domésticos.