O impasse em torno da negociação para elevar o teto da dívida dos EUA fez a tensão no governo brasileiro subir.
Nas últimas reuniões, a presidente Dilma Rousseff tem deixado clara sua preocupação a auxiliares próximos. Chegou a dizer que, com essa crise e diante da possibilidade de rebaixamento da classificação de risco dos EUA, "o mundo está de pernas para o ar".
A pedido da presidente, o tema ganhou destaque no discurso do ministro Guido Mantega (Fazenda), na terça-feira (26), na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Ele classificou a falta de acordo nos EUA de "marcha da insensatez". "Seria uma grande insensatez não conseguir superar essa situação. Acredito numa resolução, mas confesso minha apreensão pelo rumo das coisas."
Mantega enfatizou que o Brasil tem condições de continuar crescendo porque tem uma economia interna forte.
Para o presidente do conselho de administração do Santander, Fábio Barbosa, dada a proporção da crise americana, "não há como não ser resolvida". "É uma briga política. Eles vão esticar a corda, mas vai se resolver."
A mesma aposta faz o atual presidente da Febraban, Murilo Portugal.
Outro desafio do Brasil, segundo Mantega, é evitar que a guerra cambial prejudique a exportação de manufaturados. Ele disse que o Brasil pretende adotar medidas cambiais e comerciais para impedir a desvalorização artificial de moedas e práticas desleais de concorrência.