Humberto da Silva Gomes havia chegado ao Brasil, vindo dos Estados Unidos, e foi detido por agentes federais, mas libertado em seguida. Dono da Barbalho Reis Comunicação e Consultoria, ele é o único dos 38 investigados pela Operação Voucher da PF que ainda não havia sido preso, apesar de o mandado de prisão ter sido expedido no dia 9. Para ser beneficiado pelo habeas corpus preventivo expedido pela Justiça, ele deveria ter que depositar uma fiança de R$ 109 mil, o que não ocorreu.
Gomes e o irmão dele, que não teve o nome revelado, foram presos em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília. Só no início da noite de ontem a PF, em nota, explicou poorque não manteve o empresário preso. Segundo a PF, ele “apresentou a decisão em habeas corpus que impedia a sua prisão e por isso acabou liberado, na falta de meios previstos em lei para checar o pagamento da fiança fixado pelo juízo de Macapá (lei 12.403/2011)”.
“Posteriormente", prossegue a nota, "a Polícia Federal verificou junto ao juízo federal de Macapá que não houve o pagamento de fiança e em razão de sua quebra, os policiais foram até a residência deles em Taguatinga para cumprir os mandados de prisão”.
Até a tarde de ontem (18) a 1ª Vara Federal do Amapá, responsável pelo mandado de prisão, sequer tinha sido informada da detenção do empresário na noite de ontem. De acordo com o diretor de Secretaria da 1ª Vara Federal do Amapá, Alon Aragão, o mandado de prisão continuava em aberto. Perguntado se a PF errou, Aragão disse que não iria fazer juízo de valor. "Para não ser preso, ele [o empresário] tinha de pagar a fiança. Não chegou nada oficialmente, se ele foi preso ou solto. Estamos aguardando.”
Para o advogado criminalista Celso Sanchez Vilardio, a Polícia Federal deveria ter verificado se havia uma ordem de cancelamento do mandado de prisão antes de liberar o empresário. Segundo ele, somente o habeas corpus não evita a prisão de ninguém. “Existe um mandado de prisão. [A PF] Teria que detectar a existência de um contramandado.”