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"Veja" faz nova denúncia, agora contra ministro das Cidades

20 de agosto 2011 - 16h25 Por Redação Douranews, com Veja
"Veja" faz nova denúncia, agora contra ministro das Cidades

O Ministério das Cidades passa a ser o novo alvo de denúncias envolvendo o primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff. A revista “Veja” que circula hoje (20) para assinantes traz informações que teriam sido levadas à ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, por um grupo de parlamentares do PP, por conta de uma “guerra” aberta dentro da legenda, na disputa pelo controle do partido.

Segundo as denúncias, o ministro Mário Negromonte estaria “transformando o ministério em órgão partidário e usando seu gabinete na busca de apoio político”. Segundo relatos de deputados convocados para reuniões, as ofertas em troca de apoio incluem uma mesada de 30.000 reais para quem aderir.

Terceiro maior partido da base aliada, o PP tem 41 deputados e cinco senadores, além de controlar o Ministério das Cidades, cujo orçamento é de R$ 22 bilhões e tem programas de forte apelo eleitoral em todo o país.

Negromonte foi indicado mais por suas relações com o PT da Bahia do que pelo trânsito junto aos colegas. Uma parte do PP queria manter Márcio Fortes como ministro depois de ocupar o cargo por mais de cinco anos no governo Lula. Há duas semanas, o grupo ligado ao ex-ministro conseguiu destituir da liderança do partido o deputado Nelson Meurer, aliado de Negromonte, colocando em seu lugar Aguinaldo Ribeiro, aliado de Márcio Fortes.

Ao perceber o poder se esvaindo, Negromonte contra-atacou montando um bunker numa sala anexa ao seu gabinete, onde quatro aliados de sua inteira confiança – os deputados João Pizzolatti, Nelson Meurer, José Otávio Germano e Luiz Fernando Faria – tentam persuadir os deputados a se alinhar novamente com o ministro. Apenas na última terça-feira (16), doze parlamentares estiveram no Ministério. Sob a condição do anonimato, três deles revelaram que ouviram a proposta da mesada de 30.000 reais.

PP e o mensalão

Confrontado, o ministro atribui tudo a um jogo de intrigas e aponta o rival Márcio Fortes como responsável: “Sei que há boatos de que pessoas vieram aqui para fazer isso e aquilo, da mesma forma que o pessoal estava dizendo que o Márcio Fortes foi lá na liderança fazer promessa, comprometer-se na tentativa de arranjar assinatura. Não me cabe ficar comentando boato”. Fortes, por sua vez, rebate de maneira lacônica: “No dia 31 de dezembro, deixei o cargo de ministro e me afastei das atividades partidárias”.

A compra de votos de parlamentares não é algo novo na história do PP, um dos protagonistas do escândalo do mensalão – que, aliás, envolvia pagamento de mesada. Na ocasião, líderes da legenda receberam 4,1 milhões de reais em propina e quatro integrantes do partido estão denunciados no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal.

O Ministério das Relações Institucionais confirma ter recebido as denúncias e está acompanhando a guerrilha do PP com muita atenção. A presidente Dilma Rousseff também já foi informada do problema.