Mais de dois anos depois da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que confirmou a demarcação em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e determinou a saída dos não índios da área, um grupo de grandes e pequenos produtores rurais que viviam nas terras reclama que não foram indenizados pelo governo.
Pelo menos 340 famílias tiveram que deixar a reserva após a decisão do STF, entre elas seis grandes produtores de arroz do Estado. Até agora, menos de 60 foram reassentadas, de acordo com o Iteraima (Instituto de Terras e Colonização de Roraima). Mesmo os que já foram realocados não concordam com os valores das indenizações definidos pela Funai (Fundação Nacional do Índio).
O grupo de produtores, que se considera “expulsos da Raposa Serra do Sol”, diz que o Governo federal descumpriu termos da desintrusão que previam indenização justa para os ocupantes não índios da reserva de 1,7 milhão de hectares. “A única parte que foi cumprida foi nossa expulsão. Mesmo os reassentados estão numa situação muito ruim, estamos todos humilhados”, disse na terça-feira (23) a produtora de arroz Regina Barilli, que ocupava uma área de 1,6 mil hectares na reserva, durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Entre as famílias já reassentadas, há casos de agricultores que ocupavam uma área de 6 mil hectares e receberam 400 hectares de indenização.