O governo municipal chegou a considerar a emissão dos chamados "bônus olímpicos" para levantar até 2 bilhões de dólares para obras de infraestrutura relacionadas ao Jogos, mas um entrave político burocrático em Brasília esfriou os planos de captação no exterior.
Maria Silvia, ex-presidente da CSN e que assumiu a chefia da recém-criada Empresa Olímpica Municipal do Rio, disse em entrevista à Reuters no escritório provisório da entidade que a prefeitura tem buscado parceria com a iniciativa privada para realizar as obras de infraestrutura e das arenas esportivas, de forma a tentar reduzir o aporte de recursos públicos no evento.
"Do que eu vejo hoje da nossa carteira de projetos, não há necessidade de nenhuma captação externa. Nós temos o financiamento do próprio Tesouro municipal, do governo federal --orçamento geral da União e do próprio BNDES--, e principalmente o prefeito tem levado no limite a possibilidade de trazer recursos privados", disse a executiva.
"Até porque o mundo não está vivendo um bom momento. Nesse momento as captações estão um pouco mais complicadas no mundo do jeito que está", acrescentou a executiva, que também já atuou como diretora Financeira e de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Entre as dezenas de obras que estão previstas no projeto olímpico da cidade, as reformas e modernizações da região portuária e do Sambódromo já estão em execução com financiamento privado, enquanto a Vila Olímpica e o Parque Olímpico --onde se concentrará a maioria das arenas esportivas-- também devem ser levantados através das chamadas Parcerias Público Privadas (PPPs).
A prefeitura do Rio disse no início deste ano que tinha até 10 bancos interessados em participar do lançamento dos eventuais bônus olímpicos, mas a emissão só seria possível diante de uma mudança legislativa na Lei de Responsabilidade Fiscal, que não foi realizada.