O risco de aumento excessivo do crédito já motivou medidas do governo brasileiro para restringir a concessão de empréstimos e controlar a inflação. Segundo o FMI, os grandes fluxos de capital que invadiram muitos emergentes - entre eles o Brasil - após a crise econômica mundial ajudaram a alimentar a expansão na liquidez e no crédito.
RiscosO FMI alerta para o risco de superaquecimento em algumas dessas economias emergentes, com gradual acúmulo de desequilíbrios financeiros e deterioração da qualidade de crédito. Outro risco é o de uma saída brusca desse capital estrangeiro, caso a situação econômica global se agrave ou haja mudanças nos fundamentos econômicos - como perspectivas de crescimento ou risco-país.
As medidas para restringir a concessão de crédito no Brasil, aliadas ao fraco desempenho da indústria - afetada pela valorização do real frente ao dólar - e a uma maior incerteza no cenário externo são apontadas por economistas brasileiros como motivos para uma redução nas projeções de crescimento do País. O próprio FMI reduziu na terça-feira para 3,8% a sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior, de junho.
O caso do Brasil, porém, não foi único. As projeções para a economia mundial e para quase todos os países analisados pelo fundo também foram reduzidas, diante de um aumento das incertezas sobre a recuperação global. Nas economias avançadas, onde as perspectivas de crescimento são bem menores do que nos emergentes, o FMI observa que há um impacto negativo tanto nas contas públicas quanto nas privadas.
Fase política
De acordo com o fundo, diante desse cenário, os riscos à estabilidade global "aumentaram substancialmente" nos últimos meses, e a crise econômica mundial chegou a uma nova fase. Depois de períodos de dívida privada, crise no sistema bancário e problemas de dívida em economias avançadas, agora a crise está em uma fase política, marcada pelas dificuldades de consenso sobre consolidação fiscal.
Como exemplo, o relatório cita o caso da zona do euro - onde as crises de dívida e déficit iniciadas em 2010 em alguns países provocaram uma onda de desconfiança nos mercados. Segundo o FMI, apesar de medidas importantes terem sido adotadas na região, diferenças políticas entre as economias que passam por ajustes e as que fornecem apoio impediram uma solução duradoura.
Nos Estados Unidos, o impasse nas negociação no Congresso sobre a elevação do teto da dívida pública - que quase levou o país a um calote inédito em julho - lança dúvidas sobre a capacidade política de chegar a um consenso sobre um ajuste fiscal de médio prazo. O FMI lembra que foram as dificuldades de um acordo entre Casa Branca e Congresso que levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor's a rebaixar a nota dos Estados Unidos, em agosto.