O presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Nelson Calandra, considerou "normal" o adiamento, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), da votação da ação, movida pela AMB, que contesta a Resolução 135 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A regra trata da aplicação de procedimentos para investigar juízes suspeitos de praticar crimes.
Calandra rechaçou, em entrevista a Terra Magazine, do portal Terra, o que chamou de "mentiras levadas à mídia pela ministra Eliana Calmon" e enfatizou que a entidade "não pede a subtração de nenhum poder que o CNJ tem, nem sua extinção". A corregedora-geral de Justiça causou polêmica ao declarar que a ação da AMB seria um "caminho para a impunidade da magistratura" e que a Justiça esconde "bandidos de toga".
“Ela (a ministra Calmon) como jurista sabe que a AMB não está pedindo isso. A única coisa que nós pedimos é que não se reduza o prazo para a defesa dos juízes, que o CNJ não se intitule como tribunal. A resolução 135 não pode mudar a Constituição da República. O que nós pedimos é que passe por adequação, ou seja, que o CNJ atue como instância revisora, como tem atuado desde o dia que foi criado. Essa coisa de poderes originários para o CNJ, passando por cima de todas as instâncias, é algo que foi engendrado pela ministra Eliana Calmon, que se sentiu contrariada com o fato de nós questionarmos a Resolução 135, que está completamente errada”, disse o presidente.
O presidente da AMB ainda tentou contemporizar a atitude da colega, mas deixou escapar uma ponta de ironia. “Ela fez uma declaração intempestiva. Acredito que ela tem trabalhado demais. Está estressada, perdeu o rumo, mas pode acontecer com qualquer pessoa. Depois dessa deliberação do próprio CNJ dizendo que não concordava com uma linha daquilo que ela dizia, a ministra vai para o Senado, dizendo que "querem destruir o CNJ" e prepara uma Emenda Constitucional, junto com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), para demolir o veredito do Supremo Tribunal. Quer dizer, como um juiz não vai respeitar a independência que há entre os poderes? É mesma coisa que um esportista que perde o jogo e procura a Justiça comum para mudar o resultado. Quer virar campeão no tapetão, como a opinião pública fala”, atacou Calandra.