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Plano era matar juíza um dia antes e usar reconstituição como álibi

02 de outubro 2011 - 12h37 Por Redação Douranews, com R7
Plano era matar juíza um dia antes e usar reconstituição como álibi

A juíza Patrícia Acioli foi assassinada no final da noite de 11 de agosto, na porta de casa, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Mas, o "plano perfeito" do tenente Daniel dos Santos Benitez era, segundo o depoimento de um de seus comparsas, matar a magistrada no dia anterior. Em 10 de agosto, Benitez e os demais integrantes do GAT (Grupamento de Ações Táticas) do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM) participariam de uma reconstituição com a própria magistrada. O álibi, ainda de acordo com o depoimento de um dos cabos envolvidos, era ideal, pois todos os integrantes do GAT estariam de serviço e fora de qualquer suspeita.

A estratégia, porém, caiu por terra horas antes de ser colocada em prática. A reconstituição foi adiada e a execução de Patrícia também, como revela um trecho do documento obtido pelo site R7:

“No dia 10 de agosto de 2011, dia em que eles [policiais do GAT] estavam de serviço, foram convocados para fazer uma reconstituição com a própria juíza Patrícia Acioli. Por este motivo combinaram em colocar o plano de execução naquele dia, pois tinham certeza que a juíza estava no fórum e todos os integrantes do GAT estariam fora de qualquer suspeita. Ao chegarem no fórum souberam que a reconstituição teria sido cancelada”.

O cabo, no trecho seguinte do depoimento, disse ter deixado o batalhão às 7h do dia 11 de agosto e marcou com Benitez um encontro para as 19h30 do mesmo dia, em uma lanchonete atrás do 7º BPM. O policial Jovanis Falcão Júnior também compareceu à reunião que definiria a estratégia final para o assassinato. De lá, os três partiram para o Fórum de São Gonçalo, onde montariam guarda à espera da saída de Patrícia.

Os PMs utilizaram, ainda segundo depoimento do cabo, uma moto e um Fiat Palio vinho, que custaram juntos R$ 4.000. Os dois veículos foram estacionados próximo ao fórum, onde a magistrada acabava de decretar a prisão dos agentes do GAT por suspeita de envolvimento em um auto de resistência que resultou na morte de Diego Beliene, 18 anos, no morro do Salgueiro, em São Gonçalo.

Ao saber da decisão da magistrada, Benitez teria ficado revoltado e, segundo o depoimento, disse que o crime “tinha de ser naquele dia”.

“Benitez indagou quem iria com ele na motocicleta [...] Benitez decidiu que o declarante [cabo] que deveria ir na motocicleta executar a empreitada. O declarante portava a pistola calibre 45, enquanto Benitez portava revólver calibre 357 e pistola calibre 40 em uma mochila”.No trecho seguinte, o cabo contou que o PM Jovanis Falcão Júnior teria ficado no Fiat Palio e, mesmo após o motor ter demorado a ligar, conseguiu alcançar a moto e o carro da juíza. Pouco depois, o carro saiu da rota e voltou para os arredores do 7º BPM. Após o crime, os policiais teriam ateado fogo no Palio em um terreno da comunidade Jardim Catarina, no mesmo município.

Novo comandante da PM

A suspeita de envolvimento do tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira na morte da juíza levou o coronel Mário Sérgio Duarte a pedir exoneração do comando-geral da Polícia Militar no fim da noite de quarta-feira (28). Na carta, que foi encaminhada a partir do telefone celular, o ex-comandante-geral da PM diz que o motivo pelo pedido de demissão é “não deixar espaço para dúvidas quanto à responsabilidade no processo de escolha dos Comandantes, Chefes e Diretores da Corporação”.

No lugar de Mário Sérgio Duarte, a Secretaria de Segurança Pública anunciou o coronel Erir Costa Filho como o novo comandante-geral da PM. Ele é ex-comandante do Batalhão de São Cristóvão (4º BPM) e, mais recentemente, estava à frente da Superintendência de Comando e Controle da Polícia Militar.