"A concentração do poder nas instituições multilaterais, que representam principalmente os países desenvolvidos, é obsoleta e expressa uma ordem internacional que já não existe", afirmou Dilma em discurso na Assembleia Nacional de Angola.
A presidente fez essas declarações em sua visita à antiga colônia portuguesa, convidada pelo governante angolano, José Eduardo dos Santos.
Segundo Dilma, a ordem internacional atual "não reflete a realidade, a força emergente dos países em desenvolvimento nem os continentes, como é o caso da América Latina e da África".
Para a presidente, "o cenário internacional atravessa uma fase de aceleradas transformações, na qual os países emergentes estão sendo convocados cada vez mais a ocupar os espaços que correspondem a eles".
"O Brasil está trabalhando para reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas e as instituições financeiras multilaterais em nível internacional", ressaltou Dilma.
A presidente chegou a Angola - parceiro estratégico na África - na quarta-feira à noite para uma visita de um dia, na terceira e última parada de sua primeira viagem ao continente, onde também esteve, nesta semana, na África do Sul e em Moçambique.
Durante a visita, a presidente participará de uma homenagem ao primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto, na qual colocará uma coroa de flores na estátua situada na Praça da Independência, feita em sua memória, conforme antecipou nesta semana a embaixadora do Brasil em Luanda, Ana Cabral.
Dilma deve se reunir com José Eduardo dos Santos e participar de um encontro com um grupo de mulheres governantes e com a comunidade brasileira residente em Luanda.
Também se espera que nesta visita Angola e Brasil negociem acordos nas áreas de geologia e mineração, previdência social, além da luta contra o narcotráfico.
Entre 2009 e 2010, a balança comercial entre os dois países atingiu US$ 1,4 milhão e o Brasil concedeu um crédito a Angola de US$ 3 milhões.