O chefe do Ministério Público Estadual de Alagoas, Eduardo Tavares, recomendou a prisão do prefeito da cidade de Traipu, no sertão do Estado, Marcos Santos (PTB). O pedido foi acatado hoje (22) pelo presidente do Tribunal de Justiça alagoano, desembargador Sebastião Costa Filho. Marcos Santos se entregou e está na Casa de Custódia, no bairro do Farol, em Maceió. Ele é alvo de três operações da Polícia Federal.
Santos havia fugido no dia 20 de setembro, ao descobrir que seria preso na Operação Tabanga, que investigou desvios na prefeitura da cidade. O prefeito reapareceu na semana passada, depois de conseguir um habeas-corpus preventivo no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, informa o Terra.
Em Traipu, sete em cada 10 pessoas não sabem ler nem escrever. Além do prefeito, mais 17 pessoas tiveram pedido de prisão decretado. Os crimes dos quais o prefeito é acusado rendem, em caso de condenação, penas que, somadas, resultam em mais de 100 anos de prisão.
Só pelos desvios de ICMS e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), o prefeito Marcos Santos é acusado de embolsar, em proveito próprio, mais de R$ 7,3 milhões. Há também acusações de fraude em licitações; frustrar o caráter competitivo do certame; dispensa ilegal de licitação; falsidade de documento público; falsificação de documento particular; uso de documento falso; apropriação de bens e rendas públicas, peculato, corrupção ativa, admissão de servidor de forma ilegal e formação de quadrilha desarmada.
Marcos Santos contratou ainda empresa de construção civil para obras na prefeitura (em um prejuízo calculado em R$ 226.905,40) e "doou aos pobres" - conforme consta nos balancetes da Prefeitura, sem especificar os beneficiários, mais de R$ 2,9 milhões.
Em um relatório da Controladoria Geral da União, o prefeito Marcos Santos é acusado de envolvimento no desvio de R$ 8 milhões em verbas federais. Já nas três operações da Polícia Federal realizadas na cidade, os desvios são estimados em R$ 15 milhões.