O ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, afirmou nesta terça-feira que o governo voltou a repassar recursos para organizações não governamentais (ONGs) que mantêm contratos com a administração pública após terem sanado irregularidades. Os contratos haviam sido suspensos em outubro, em meio a suspeitas de fraudes em ministérios. No decreto, a presidente Dilma Rousseff estabeleceu prazo de 60 dias para avaliação daqueles sob suspeita de irregularidades.
Hage disse que até janeiro de 2012, quando termina o tempo estabelecido para a regularização, mais repasses podem ser retomados. O ministro informou ainda que o contrato que não for regularizado será cancelado, as ONGs que apresentarem problemas terão os nomes divulgados em um cadastro público e ficarão impedidas de celebrar convênios com o governo. "No caso das entidades com irregularidades sanáveis, elas já foram notificadas para tomar as medidas que têm que tomar", disse ele, ainda.
Hage disse que não é possível dimensionar quantas ONGs passaram pelo pente-fino e tiveram sinal verde para receber dinheiro público. Outras entidades que tiveram irregularidades apontadas terão até 29 de janeiro para corrigir as falhas, caso contrário, perderão seus contratos e convênios com o governo federal.
A medida de suspensão nos repasses ocorreu após as denúncias de irregularidades envolvendo ONGs e o Ministério dos Esportes. Elas culminaram na queda de Orlando da Silva (sucedido por Aldo Rebelo), sexto ministro de Dilma a cair ainda no primeiro ano de governo. Ele foi apontado por uma reportagem da revista Vejade outubro como o líder de um esquema que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos.