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Gari leva tiro no coração, mas sobrevive à cirurgia

15 de janeiro 2012 - 17h06 Por Redação Douranews
Gari leva tiro no coração, mas sobrevive à cirurgia

O gari Adriano Marcolino, de 28 anos, teve o coração atingido por um projétil calibre 22, mas está vivo e, se tudo correr bem, deverá receber alta na próxima semana. O cirurgião cardíaco Jean Pierre Nogueira, responsável pela cirurgia que praticamente reconstruiu o coração do paciente, diz que não tem conhecimento de um fato assim. "Geralmente, tiro no peito acertando o coração em cheio, o paciente morre na hora", explica.

O fato aconteceu na terça-feira (10), por volta das 20 horas, no Parque Jaraguá, em Bauru, no interior de São Paulo). De férias do serviço de gari na cidade, Marcolino conta que tomava uma cerveja com os amigos numa esquina perto de sua casa quando um vizinho chegou ao local com o revólver. "Eu nem cheguei a ver a arma, só senti uma queimação no peito vi o sangue na camiseta. Consegui andar ainda mais uns 30 metros atrás de socorro, mas cai e tudo apagou", diz.

De acordo com a irmã do rapaz, Julia Cristina Marcolino, de 31 anos, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado, mas demorou a chegar, e a população no local pressionou os policiais para que prestassem eles mesmos o socorro, encaminhando o rapaz até o Pronto Socorro Central da cidade. Como não tinha muito que se fazer por ali, Marcolino foi levado direto para o centro cirúrgico do Hospital de Base. "Foi sorte, ação divina sabe-se lá, um cirurgião cardíaco estar de plantão naquele dia no hospital", conta o médico.

"O caso dele é um daqueles milagres da medicina, a sobrevivência nesses casos é improvável, a parte de trás do coração estava toda danificada parecendo uma gelatina", explica o cirurgião  contando que, ao abrir o peito do paciente, percebeu que a bala havia transpassado o coração, mas que a situação mais complicada estava na parte posterior do órgão, que estava com os músculos estourados e parte do coração queimado pela pólvora.

"O disparo atingiu três importantes estruturas do coração, ela entrou pelo ventrículo direito, saiu pelo átrio direito e atingiu ainda a veia cava inferior que leva o sangue do corpo para o órgão", explica. O projétil não foi retirado e encontra-se alojado no tórax do paciente. "O procedimento feito foi o que chamamos na medicina de ráfia (costura) total da parte posterior do coração", conta o cirurgião. "Precisamos verificar se não vai ficar nenhum dano, é muito cedo ainda para afirmar qualquer coisa", completa. (com informações do portal Terra)