O advogado da família de uma das vítimas do desabamento de três prédios no Centro do Rio de Janeiro estuda processar os responsáveis pelo resgate por homicídio culposo. Segundo o advogado João Tancredo, que presta assessoria jurídida para a família de Sabrina Prado, o uso de máquinas pesadas na remoção dos destroços e a pressa para liberar o trânsito na região podem ter esmagado as vítimas ainda vivas sob os escombros.
"Precisamos estudar isso com cuidado, mas ficou nítido que houve pressa para mostrar serviço e liberar as ruas do Centro ao invés do trabalho de resgate. Se ficar constatado que as vítimas poderiam estar vivas quando eles começaram a usar máquinas pesadas, acionaremos judicialmente o responsável pelo resgate. Ele pode responder por homicídio culposo", garantiu o advogado.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Defesa Civil informou que a ordem de usar máquinas pesadas no resgate partiu do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros e ressaltou que a operação seguiu critérios técnicos para salvar possíveis sobreviventes.
Episódios recentes nos quais pessoas foram resgatadas com vida em situações semelhantes pesam contra a decisão do Corpo de Bombeiros. No terremoto do Haiti, equipes de resgate encontraram vítimas sob escombros 11 dias após a tragédia. Em alguns prédios japoneses atingidos pelo terremoto no ano passado, pessoas foram encontradas com vida sob os escombros nove dias depois.
No World Trade Center, cujas proporções da queda reduziam drasticamente a chance de sobreviventes, a última pessoa resgatada com vida foi encontrada 28 horas após o desabamento das torres. No Centro do Rio, as equipes começaram a usar máquinas pesadas cerca de 12 horas após a tragédia.
O órgão norte-americano FEMA (sigla para Agência Federal de Gestão de Emergências, em inglês) recomenda, por exemplo, que o uso de maquinário pesado em situações semelhantes aconteça apenas quando a vida das equipes de resgate estiver em risco. Especialista em resgate com gerenciamento de catástofres, o médico Marcelo Teixeira apontou que as vítimas poderiam ficar dias com vida debaixo dos escombros. Segundo informações do JB.