A população de Brasileia (233 km de Rio Branco) foi surpreendida nesta segunda-feira (20) com a subida repentina do nível do rio Acre, que margeia a cidade e em menos de 24 horas aumentou 1,18 metro, atingindo cerca de mil imóveis.
Até este domingo, em torno de 150 famílias foram removidas das áreas alagadas e transferidas para abrigos municipais e casa de parentes. Em Rio Branco, o rio Acre chegou a 17,3 metros ao meio-dia desta segunda-feira (20).
A preocupação de técnicos da Defesa Civil é com a chegada a Rio Branco de parte do volume das águas que já passou por Brasiléia. Se isso ocorrer, o nível do rio pode se elevar de 30 a 40 centímetros durante a noite, onde 4.500 pessoas estão acolhidas nos cinco abrigos públicos e 522 famílias estão em casas de amigos ou parentes.
A aposentada Ana Moreira, que mora há 50 anos no mesmo local em Brasileia, conta que a água subiu muito rápido e que não houve tempo de tirar nada de dentro de casa. “Minha casa nunca alagou porque fica numa área mais afastada do rio. Estávamos tranquilos e de repente perdemos tudo”.
Em Rio Branco, parte dos bairros alagados está sem energia. O fornecimento está sendo suspenso, após avaliação da concessionária de energia do Acre, Eletroacre/Eletrobrás, para evitar acidentes ou mortes por eletrocutamento.
Até agora, 50 transformadores foram desligados. Cada um deles distribui energia para 80 residências. O diretor da empresa, Celso Matheus, calcula que 4.000 unidades consumidoras estejam sem energia porque não é possível abrir todas para desligar apenas a energia da casa afetada.
Três coordenadores da Força Nacional de Saúde devem chegar esta tarde a Rio Branco, e à noite, mais oito pessoas deverão reforçar a equipe operacional destacada para atuar no Acre.
Os profissionais estão sendo deslocados de outros Estados. Ainda não há informação sobre a chegada dos médicos solicitados pelo governo do Estado à Defesa Civil Nacional para atuar em Assis Brasil, Porto Acre, Santa Rosa do Purus e Sena Madureira, cidades também atingidas pelas cheias dos rios Acre, Purus e Iaco, respectivamente.
No município de Santa Rosa do Purus a preocupação é com isolamento de ribeirinhos e comunidades indígenas. Em Tarauacá, a situação é de alerta com o nível do rio de mesmo nome. Lá, a cota de transbordamento (de 9,5 metros) foi ultrapassada no domingo. Hoje, o rio está com 8.5 metros.