Depois de 21 anos do impeachment a que foi submetido, na CPI do PC Farias, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) vai sentar agora na cadeira dos juízes na CPI Mista que o Congresso deve instalar na próxima semana para apurar as relações do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira com o mundo político em Brasília, informa o portal do jornal O Globo.
Collor foi indicado na vaga do PTB pelo líder do partido, Gim Argello (DF). E estará acompanhado de caciques do PMDB, como o conterrâneo Renan Calheiros (AL), que renunciou à presidência do Senado para escapar da cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar, em 2007. Renan ainda quer levar Romero Jucá (RR) para a CPI.
“Nas duas vagas de titular, vou indicar o Vicentinho Alves pelo PR e o senhor Fernando Afonso pelo PTB. Quando eu o convidei, Collor respondeu: “Estou pronto. É missão!”, confirmou Gim Argello, às gargalhadas, quando questionado se a ideia então era barbarizar a CPI.
O líder petebista argumentou que o Collor de 21 anos atrás não existe mais. O Collor de hoje, segundo disse o líder ao jornal carioca, faz um “mandato brilhante” e “é exemplar” como presidente da Comissão de Relações Exteriores.
Em 1992, após 85 dias de investigações sobre desvio de milhões do chamado esquema de PC Farias [na época apontado como principal testa de ferro de Collor], o então presidente da República foi incriminado pela CPI e logo depois afastado pelo impeachment. O processo foi para o STF (Supremo Tribunal Federal) e arquivado por falta de provas.