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Mulher diz ter sido agredida por guarda de prefeitura em SP

08 de maio 2012 - 15h31 Por Redação Douranews
Mulher diz ter sido agredida por guarda de prefeitura em SP

A confeiteira Jânia Maria da Silva da Hora, de 48 anos, está com o pescoço imobilizado desde o dia 24 de abril. Ela afirma ter sido agredida por um guarda civil municipal de Osasco, na Grande São Paulo, no prédio da Prefeitura da cidade. Jânia ainda sofria com dores na coluna e estava de cama na manhã desta terça-feira (8). Ela contou ter sido agarrada no pescoço e no braço, chacoalhada e arremessada na calçada por um guarda após pedir informações sobre o setor de assistência social da Prefeitura.

Em nota, a Prefeitura de Osasco informou que ainda precisa “confirmar que tipo de atendimento foi dado pelo guarda municipal. Se houve algum desvio de conduta, haverá instauração de procedimento disciplinar para se apurar o que realmente ocorreu e qual será a dosemetria da penalidade aplicada”. Segundo a Prefeitura, “cabe à denunciante comprovar os fatos de forma verídica".

Jânia foi até a administração municipal em busca de informações sobre sua inclusão no programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal. Algumas semanas antes, uma assistente social havia ido até sua casa para entrevistá-la, e pediu que ela a procurasse na Prefeitura para ter um retorno sobre a visita. Ela entrou na Prefeitura no dia 24 de abril, foi até uma sala onde há atendimento ao público, e lhe disseram para ir a uma portaria e se informar com o guarda sobre a localização da assistente social.

“Quando parei lá para pedir informação para o guarda, porque o portão estava aberto, estava entrando um carro branco. Disse que procurava a assistente social, e ele informou que ali era apenas uma garagem, pediu que eu perguntasse nas portas de vidro”, contou.

"Então apareceu um grandão, moreno, uniforme todo azul, colete à prova de balas, da Guarda Municipal. Ele gritou 'ele já mandou você sair, sai se não vai ter choque. Se a senhora não sair vai ter choque'”, contou a confeiteira. “Ele veio na minha direção, fiquei parada assustada. Virei para o outro senhor e pedi um pouco de água. Ele nem deixou o outro abaixar e gritou 'não tem água nenhuma aqui. Some daqui senão vai ter choque'", contou Jânia à reportagem do G1.

Logo em seguida, segundo a mulher, aconteceu a agressão. “Fiquei com muito medo, e só vi na hora que ele ficou frente a frente comigo, pegou com a mão esquerda no meu pescoço, com a direita no meu braço direito e começou a dar uns chacoalhões bem violentos, saiu me arrastando com muita força”. A confeiteira contou ter sido levada até a calçada, onde uma mulher viu a cena e o guarda a jogou no chão. Botões de sua blusa se abriram, e seus óculos caíram no chão, quebrando uma haste.

Logo depois, o guarda ainda jogou um spray no rosto da mulher. “Eu não vi mais nada, fiquei com a vista turva, parecia água quente entrando nas minhas narinas, chorei muito, minha pressão subiu”, relembrou. Pedestres acudiram a confeiteira e chamaram um de seus filhos, que foi até a Prefeitura ajudá-la.

Jânia foi até o hospital, onde foi medicada, imobilizada e orientada a ir até a delegacia. Ela não conseguiu fazer o boletim de ocorrência no mesmo dia, entretanto, pois quando chegou à Delegacia de Defesa da Mulher o prédio já estava fechado. No dia seguinte, foi até a Prefeitura, onde foi recebida por um agente da Guarda Municipal que, segundo ela, a desencorajou de registrar a ocorrência.

“Ele disse para eu deixar isso para lá, porque aquele guarda é um funcionário que nunca deu problema, é pai, e que ele só fez aquilo porque o pai dele havia falecido há um mês, a esposa havia traído e ele descontou toda a raiva dele em cima de mim”, contou. “Falou que não adiantava ir na delegacia, porque o máximo que ia acontecer era mudar ele de setor, porque ele está com quadro depressivo, que o boletim de ocorrência ia ficar arquivado.”

A confeiteira procurou em seguida a ouvidoria da Prefeitura e a delegacia. A delegada que registrou o caso a encaminhou para o Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito e também fez uma solicitação para que ela fosse até a Guarda Municipal identificar o guarda por meio de fotos. Jânia disse que tentou mais de uma vez procurar a guarda, inclusive a corregedoria do órgão, mas que não teve acesso às fotos e não conseguiu reconhecer o guarda, mesmo com a solicitação da delegada.

A Prefeitura de Osasco informou que o comandante da Guarda Civil Municipal, Gilson Menezes, só irá se pronunciar sobre as medidas cabíveis “mediante manifestação oficial por parte da denunciante, com fundamentação coerente e embasada em fatos que comprovem a veracidade do que foi mencionado”. A administração também informou que a polícia não solicitou o nome do guarda envolvido, nem imagens do local onde ocorreu a agressão.

Lesões
Além da lesão na cervical, Jânia também ficou com hematomas nos braços. De cama desde o ocorrido, ela não consegue trabalhar – ela faz doces, bolos e decorações para festas. “Agora não consigo nem andar dentro de casa. Tenho medo de dar uma complicação”, afirmou.

O advogado de Jânia, Ademar Gomes, disse nesta terça-feira (8) que está acompanhando o inquérito instaurado na Delegacia de Defesa da Mulher e que vai entrar com um processo por danos morais e materiais contra a Prefeitura de Osasco, responsável pela Guarda Municipal. A confeiteira deve prestar depoimento na delegacia na tarde desta terça.