A CPT (Comissão Pastoral da Terra), organismo de apoio da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou ontem (7), em Brasília, a 27ª edição do relatório ‘Conflitos no Campo’. O documento mostra o cenário de violência e conflitos vividos no campo.
Cópias do relatório foram entregues à ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, e aos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo e do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.
A Comissão quer chamar atenção para a violência que se espalha no campo e para a necessidade de resolver este problema com ações demandadas há anos, como a reforma agrária, que para a CPT é um assunto ausente na pauta do governo de Dilma Roussef. Segundo o relatório, no primeiro ano de mandato da presidente, foi notado o menor número de famílias assentadas desde 1995. A situação é apontada como "decepcionante”.
Em 2011, os conflitos no campo chegaram à cifra de 1.363 casos, número superior ao de 2010, quando se registrou 1.186 casos. Já os conflitos por terra passaram de 853, em 2010, para 1.035, aumento de 21,32%.
Carlos Walter Porto Gonçalves, um dos responsáveis pelo capítulo sobre "Terra” do relatório, destaca que os conflitos protagonizados pelo poder privado (fazendeiros, empresários, madeireiros e outros) aumentaram. No ano passado, eles foram responsáveis por 689 das 1.035 ocorrências de conflitos por terra. O relatório também especifica que o poder público foi responsável por menos de 100 ações, entre despejos e prisões, e os movimentos sociais responderam por 230 ações, entre ocupações e acampamentos.
A violência também se fez presente no meio rural em 2011. A CPT registrou 29 assassinatos, cinco a menos que ano passado. No entanto, a Comissão avalia que a repercussão de algumas mortes ocorridas em 2011 foi maior do que em anos anteriores, como foi o caso dos assassinatos do casal José Cláudio e Maria do Espírito, no estado do Pará, de Adelino Ramos, em Rondônia, e o desaparecimento do cacique indígena Nísio Gomes, no Mato Grosso do Sul, para alguns segmentos dado inclusive como morto.