A decisão tomada hoje (19) pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, de excluir do júri do caso Bruno sete jurados que participaram de outro julgamento de um dos réus [o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola] vai levar a defesa a pedir a anulação do julgamento no TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). Zanone Manuel, advogado defensor de Bola, afirmou que o comportamento da magistrada não está previsto em lei e acusou-a de querer "legislar".
No dia 7 deste mês, Bola foi absolvido no julgamento em que respondia pela morte do carcereiro Rogério Martins Novelo, em maio de 2000. Sete jurados envolvidos na decisão estavam no grupo de 33 nomes do qual seriam escolhidos os jurados do atual julgamento, e foram excluídos pela juíza sob o pretexto de que a experiência poderia comprometer-lhes a imparcialidade.
"Ela está ali para julgar, não para legislar", afirmou Zanone, argumentando que a decisão da magistrada não está prevista em lei. "Eles têm o direito legal de participar do julgamento", argumentou. O advogado prometeu recorrer ao TJMG com um habeas-corpus para anular o julgamento ou exigir a inclusão dos sete jurados.
Ainda de acordo com Zanone, a decisão da magistrada prejudicaria a defesa, por favorecer um perfil de jurado mais sensível ao tema. "Nós sabemos que o promotor quer colocar no júri sete mulheres", afirmou. Segundo Zanone, até pouco antes do meio-dia, o julgamento ainda não havia de fato começado.
O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno, enfim reconhecida e agora aos cuidados da avó, que mora em Campo Grande.