Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
16°C
Brasil

Fraudadores de vestibulares cobravam até R$ 80 mil, diz PF

12 de dezembro 2012 - 17h17 Por Redação Douranews
Fraudadores de vestibulares cobravam até R$ 80 mil, diz PF

A Polícia Federal prendeu sete líderes de quadrilhas que fraudavam vestibulares de medicina em faculdades de 11 estados e no Distrito Federal, nesta quarta-feira (12), na Operação Calouro. Segundo a PF, o valor das vagas girava em torno de R$ 45 mil a R$ 80 mil. Os esquemas funcionavam de duas maneiras: falsificação de documentos ou cola eletrônica.

De acordo com a PF, empresários, um médico, um engenheiro e um estudante de medicina comandavam as quadrilhas e mais de mil candidatos teriam tentado se beneficiar do esquema. Foram expedios 70 mandados de prisão pela Justiça.

A PF informou que seis líderes de quadrilhas estavam no estado de Goiás e um em Minas Gerais. "Porém, não havia uma única área de atuação. Em qualquer faculdade de medicina em que um grupo, de pelo menos 20 candidatos, fosse cliente da quadrilha, o esquema era realizado. Dificilmente esses alunos ou as pessoas que atuavam no momento do vestibular eram do próprio estado onde acontecia a prova", explicou o delegado federal responsável pela operação, Leonardo Damasceno.

Equipamento usado em fruade em vestibular (Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)
Equipamento usado em fruade em vestibular (Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)

A operação acontece em Goiás,Mato Grosso, Rondônia,Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo,Santa Catarina, Minas Gerais,Rio de Janeiro, Pará e Distrito Federal. Informações iniciais dão conta de que duas pessoas foram presas no Espírito Santo, até o final da manhã desta quarta-feira. São dois homens, um preso me Vila Velha e outro em Vitória. Eles atuavam como "corretores" no esquema das quadrilhas.

Seis líderes foram presos em Goiás, entre eles um engenheiro, empresários e um médico (que já possui passagens pela polícia por tentativa de fraude em concurso público e formação de quadrilha). O sétimo foi preso é um estudante de medicina, detido em Minas Gerais durante a operação. " Todos os envolvidos formaram um patrimônio gigantesco, mas são pessoas que podem comprometer imensamente a saúde pública pois são pessoas que não são pessoas preparadas para cursarem esta faculdade", afirmou o delegado federal.

Os detidos responderão a inquérito pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsificação de documento, uso de documento falso e lavagem de dinheiro, segundo a Polícia Federal.

O esquema
O delegado detalhou que o esquema funcionava de duas maneiras. Na mais simples, uma pessoa envolvida na quadrilha falsificava documentos e fazia a prova no lugar do verdadeiro candidato. Essa pessoa que realizava a prova quase sempre era um aluno de medicina com boas notas na faculdade.

Na outra modalidade, um membro da quadrilha fazia a prova rapidamente e saia da sala. Esse falso candidato que resolvia a prova era chamado pelos integrantes das quadrilhas de "piloto", pois deveria ser rápido para resolver as questões, e também era aluno de medicina. De posse do gabarito, ele conferia o resultado e passava as informações por meio de uma escuta eletrônica ou por celular para o candidato. Antes da prova, os candidatos que contratavam os serviços das quadrilhas eram treinados para que soubessem como agir no momento de receber as respostas.

O valor do serviço contratado por um candidato girava entre R$ 45 mil a R$ 80 mil. O dinheiro só era entregue após o cliente/candidato ter sido aprovado na faculdade. O líder repassava para o "piloto" valores entre R$ 5mil e R$ 15 mil. Parte do pagamento também era entregue ao "corretor", responsável por aliciar candidatos para entrarem no esquema. Essas pessoas, geralmente, eram médicos. O líder também possuía um assistente que treinava os candidatos/clientes para receber a cola, escolhia os equipamentos tecnológicos e falsificava os documentos.

Resposta de questão em vestibular (Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)
Resposta de questão em vestibular (Foto: Assessoria de Comunicação/ PF-ES)

A atuação
De acordo com a PF, as quadrilhas atuavam, na maioria das vezes, em faculdades particulares e algumas estaduais. Os nomes das faculdades não foram divulgados pela polícia, mas a estimativa é de que sejam pelo menos 30 unidades de ensino superior em todo o Brasil. "A carência de vagas na rede pública e a disputa acirrada tanto das federais quando nas particulares, alimenta esse tipo de esquema, uma vez que os candidatos se atraem pela facilidade. Essas quadrilhas investigadas não atuavam nas universidades federais devido ao Enem, uma seleção muito maior e com mais restrições no momento das provas", explicou o delegado. Somente no período de um ano e seis meses, foram registrados a atuação da quadrilha em 53 vestibulares.