A Prefeitura de São Paulo anunciou investigação da CGM (Controladoria Geral do Município) para apurar motivos que levaram à prisão em flagrante, nesta sexta-feira (15), de dois servidores suspeitos de cobrar propina de um empresário. A dupla trabalha na Subprefeitura de Santo Amaro.
Os servidores, um homem e uma mulher, que são casados, foram flagrados recebendo R$ 40 mil em dinheiro de um empresário que denunciou o esquema, segundo a prefeitura. De acordo com a administração municipal, eles foram detidos em uma operação conjunta da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) enquanto estavam negociando a propina em um shopping na Zona Sul da capital.
O empresário que denunciou a cobrança de propina disse, segundo relato da Prefeitura, que os dois funcionários queriam pagamento para liberar a obra de ampliação de um imóvel. Segundo ele, diante do embargo da obra por causa da falta de ‘habite-se’, uma servidora da subprefeitura se colocou à disposição para "resolver o problema".
Ele diz que, durante visita à subprefeitura, a servidora apresentou uma multa de R$ 194 mil e, em seguida, disse que o pagamento de R$ 97 mil regularizaria a situação. Ambos são agentes vistores e o homem detido ocupa um cargo de chefia. O controlador-geral do município, Mario Spinelli, afirmou que os dois ganham cerca de R$ 5 mil por mês cada. Ele não quis dar detalhes sobre o patrimônio dos suspeitos.
A Prefeitura vai abrir um processo administrativo disciplinar para apurar responsabilidades. Os suspeitos podem responder pelos crimes de concussão ou corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A investigação começou após denúncia apresentada pelo empresário em 25 de fevereiro. Desde então, a controladoria realizou o monitoramento da evolução patrimonial dos dois agentes públicos.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que essa foi a primeira denúncia recebida pela CGM. Na avaliação do prefeito, o trabalho foi bem conduzido. "A CGM tem carta branca para atuar sem pedir licença", afirmou Haddad. A CGM afirmou que a Prefeitura estuda um sistema de monitoramento do patrimônio de todos os servidores públicos. Com informações do G1