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Cidade gaúcha paga curso de medicina para futuros médicos

03 de junho 2013 - 17h59 Por Redação Douranews
Cidade gaúcha paga curso de medicina para futuros médicos

Enquanto o governo brasileiro trava um embate com associações médicas por causa da proposta de importar médicos estrangeiros para atender a população, municípios do interior do País usam de todos os artifícios para conseguir atrair os profissionais. Em Camargo, a 270 km de Porto Alegre/RS, o salário de cerca de R$ 16 mil não é suficiente para que médicos se interessem em trabalhar na cidade de pouco mais de 2 mil habitantes. Para tentar solucionar o problema, a Prefeitura decidiu pagar a faculdade de medicina para estudantes residentes na cidade que se comprometam a trabalhar no local por pelo menos cinco anos depois de formados.

"É sempre o mesmo dilema. Conseguimos um médico, ele fica no máximo um ano e vai embora. Eles não querem morar numa cidade pequena, que não oferece oportunidade para crescer mais e se especializar", diz a vice-prefeita, Eliani Trentin. Ela tem esperança que a lei, sancionada no final de 2011, possa acabar com o dilema de não saber se no próximo mês o médico contratado vai continuar prestando o serviço.

Pela proposta, moradores da cidade há pelo menos cinco anos que tenham sido aprovados no vestibular de medicina de qualquer instituição privada - não importa o valor da mensalidade - terão todo o curso custeado pela Prefeitura desde que se comprometam a retornar à cidade depois de formados e trabalhar até pagar o investimento (a estimativa é que serão necessários de cinco a seis anos). Nesse período, o médico beneficiado vai receber apenas um auxílio de dois salários mínimos, cerca de R$ 1350.

A ideia, que já despertou o sonho de muito estudantes da cidade, ainda não foi colocada em prática, já que nenhum morador foi aprovado no vestibular. "Como é preciso residir aqui há mais de cinco anos, ficamos um pouco restritos. Mas eu acredito que em breve teremos os primeiros universitários participando do projeto", projeta a vice-prefeita.

Edes de Mello Rosa, de 28 anos, é um dos que veem na proposta da prefeitura uma oportunidade de mudar de vida e ainda ajudar a população da cidade onde nasceu. Filho de agricultores, ele trabalha como agente de saúde da Prefeitura e ainda faz bicos como auxiliar de enfermagem na cidade vizinha de Marau. Mesmo sem tempo de se dedicar aos estudos, ele acredita que vai conseguir realizar o sonho.

"Agora no segundo semestre quero fazer um cursinho. Essa é a oportunidade da minha vida porque nunca teria como pagar pela faculdade, nem tenho condições de passar no vestibular de uma universidade pública", conta o jovem, que tem esperança de ser aprovado na seleção para a UPF (Universidade de Passo Fundo), localizada a cerca de 50 quilômetros de Camargo. Com informações do Terra