Enquanto a neve encanta os turistas e os moradores dos Estados do Sul do Brasil desde ontem (22), outro fenômeno decorrente do frio intenso preocupa autoridades e agricultores da região. Trata-se da ‘geada negra’, que segundo meteorologistas deve atingir as regiões mais altas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná esta semana, principalmente na noite desta terça-feira (23).
Segundo o meteorologista Glauco Freitas, da Fepagro (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Sul), a geada negra recebe esse nome porque queima as plantas por dentro, deixando-as com aparência escura. "A geada branca é mais comum e não causa tantos prejuízos porque ela congela a planta por fora", diz ele, ao afirmar que a geada negra acontece apenas quando são combinados a baixa temperatura [menos de 0°C] com os ventos intensos e ar seco.
A meteorologista Marilene de Lima, do Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina), afirma que no dia 26 de setembro do ano passado o fenômeno foi registrado na cidade catarinense de São Joaquim. Naquela ocasião, o frio de -3°C veio combinado com ventos de 106 quilômetros por hora. Para esta terça-feira, a previsão é de geada negra no planalto sul-catarinense, meio oeste e planalto norte, além da serra sudeste e região central do Rio Grande do Sul, e pontos mais altos do Paraná.
Marilene explica que os danos à agricultura são provocados porque a baixa temperatura e o vento intenso causam o rápido congelamento da seiva da planta, provocando a morte do vegetal. Clauco Freitas lembra que, ao contrário da neve – que ocorre quando há umidade – a geada acontece com o tempo seco. "As pessoas costumam dizer que 'caiu geada', mas a geada não cai do céu, ela se forma na superfície", diz. Segundo ele, o fenômeno acontece quando a superfície perde calor para a atmosfera, a temperatura baixa e acaba congelando.
Em 1975, a ocorrência de geada negra no Paraná trouxe consequências econômicas e sociais que mudaram o perfil da agricultura no Estado. Plantações inteiras de café – que na época era o principal produto produzido na região - foram completamente destruídas após o fenômeno, provocando intenso exôdo rural, informa reportagem do Terra