"O-Metallica-não-é-mais-metal!" "O Metallica desceu ladeira abaixo após o 'St. Anger' [ou após o 'Load'. Ou após o 'Reload']!". Essas são algumas das frases mais presentes nas discussões entre metaleiros (homenagem aqui a Leilane Neubarth*) pelo Brasil ou pelo mundo. Mas algum headbanger em sã consciência despreza escutar o dedilhado do baixo distorcido de "For whom the bell tolls" ao vivo e in loco? Ou os helicópteros que precedem "One"? Ou o riff de "Enter Sandman"?
E na opinião do próprio Metallica, o show da noite desta quinta (19) foi uma performance superior, "mais legal do que dois anos atrás", nas palavras de Lars Ulrich. Foi a sexta passagem do quarteto californiano pelo Brasil. A novidade e a surpresa já não são fatores primordiais. Mas permanece grande o impacto para quem deixa de lado (ao menos momentaneamente) a discussão se eles se tornaram "um bando de vendidos". O Metallica ainda é um dos grupos com mais força ao vivo.
A performance começou oficialmente à 0h30 ao som de It's A Long Way To The Top (If You Wanna Rock 'n' Roll), do AC/DC, mas vaias não paravam. Só quando Clint Eastwood surgiu no telão que todos sossegaram. "Ecstasy of gold", música do filme "Três homens em conflito" feita pelo trilheiro Ennio Morricone, ainda segue como o tema de abertura do show, acompanhada pelos "ôôôôs" dos fãs. Novidade, convenhamos, não está no topo das prioridades do fã de metal. Então tudo certo.
James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo entram no palco e tocam "Hit the lights", de quando a banda era de thrash metal (e todos concordam que o Metallica não é mais thrash, o subgênero do metal caracterizado pelo ritmo veloz e os "socos" na bateria). "Master of puppets" veio na sequência.
O grupo tocou clássicos como "Enter Sandman", "Nothing else matters" e fechou com "Seek and destroy".