Na penitenciária da Papuda, Marcos Valério é o condenado número 4 da Ação Penal 470. Mas os dias do operador do mensalão no sistema prisional do Distrito Federal estão perto do fim. Valério já tem matrícula, cela e o uniforme vermelho da penitenciária Nelson Hungria reservados e aguarda apenas um despacho do STF (Supremo Tribunal Federal) para cumprir o primeiro de seus 40 anos de pena em Minas Gerais. Mesmo sem pisar no pátio do presídio de Contagem, Valério já alterou o esquema de segurança da penitenciária.
Há quatro anos, quando receberam o ex-goleiro Bruno como o preso mais ilustre da instituição, o Cope (Comando de Operações Especiais) criou um sistema de monitoramento de conversas dos presos para detectar possíveis ameaças ao jogador. E foi esse sistema que, logo depois do anúncio do pedido de transferência de Valério para o presídio mineiro, descobriu que líderes da facção Comop (Comando Mineiro de Operações) estavam combinando um plano para arrancar dinheiro do operador do esquema.
“Sabem que o Valério tem dinheiro, posses e poder. Por isso se articularam”, disse um agente penitenciário em reportagem desta semana da revista IstoÉ. A trama foi confirmada pelo coordenador do Comando de Operações Especiais do presídio. “Com o intuito de coibir isso, redobramos a vigilância para monitorar individualmente esse preso com poder aquisitivo. Não queremos trazer um fato político para dentro da nossa unidade”, disse Adeilton Souza Rocha, que também preside o sindicato dos agentes penitenciários de Minas Gerais.
Para evitar maiores transtornos, a penitenciária de Contagem já providenciou a transferência dos líderes do movimento para outro pavilhão. Segundo Adeilton Rocha, Valério também terá de passar o primeiro mês isolado e “em observação”. “Ele pode ser trocado de cela ou de unidade, se necessário”, afirmou à revista