A bancária Cintia Valle, de 39 anos, recebeu uma das melhores notícias da vida dela, a da gravidez, enquanto passava por uma bateria de exames que finalmente levariam a um diagnóstico de câncer. Ela chegou a ouvir da equipe médica a possibilidade de ter de interromper a gestação para fazer o tratamento. Mas seus médicos avaliaram a situação e decidiram adiar o início da quimioterapia para o segundo trimestre da gravidez, quando a medicação não traria riscos ao feto.
A história teve um final feliz: o bebê Lucas, hoje com 9 meses, é uma criança saudável e Cintia, que conseguiu fazer o câncer regredir, já até voltou a trabalhar. Mas a família ficou comovida com o caso da funcionária pública Patrícia Alves Cabrera, que decidiu interromper a quimioterapia durante a gravidez para proteger o filho e acabou morrendo na semana passada, poucos dias após um parto prematuro. O tratamento de câncer bem sempre é compatível com a gravidez e, em cada caso, a decisão final é dos pacientes, mostra reportagem do G1.
De acordo com especialistas, apesar de a quimioterapia não ser recomendada no primeiro trimestre de gravidez, alguns tipos de medicações podem ser usadas com segurança a partir do segundo trimestre de gestação. “Existem vários casos de pacientes que recebem quimioterapia nesse período e isso não impacta em uma maior taxa de malformação”, diz a oncologista clínica Solange Moraes Sanches, do A.C.Camargo Cancer Center. No entanto, nem sempre o início do tratamento pode ser adiado sem prejuízo para a saúde da mãe, observa a médica.