Cinco dias após o Ministério das Relações Exteriores cobrar do governo venezuelano explicações sobre a vinda ao Brasil, sem aviso prévio, do ministro venezuelano de Comunidades e Movimentos Sociais, Elias Jaua, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) divulgou nota esclarecendo o teor do termo de cooperação para capacitação de camponeses assinado com o ministro que também ocupa o cargo de vice-presidente de Desenvolvimento do Socialismo Territorial na Venezuela.
O acordo foi um dos compromissos políticos que Jauá cumpriu durante estadia no país, sem que o governo brasileiro tivesse sido comunicado. Como, em termos diplomáticos, a falta de aviso prévio pode ser interpretada como ingerência em assuntos internos e contrário às boas relações entre dois países, o Itamaraty ainda aguarda os esclarecimentos do governo venezuelano. Já parlamentares da oposição revelam que exigirão informações do chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, na próxima audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, agendada para quarta-feira (19).
“Temos uma situação sui generis, para dizer o mínimo: alto representante de um governo estrangeiro vem ao Brasil firmar acordos com um ente sem personalidade jurídica, tendo por objetivo construir uma sociedade socialista”, argumentou o deputado e senador eleito Ronaldo Caiado (DEM-GO), que solicitou a audiência pública, segundo a Agência Câmara.
Alegando ser reconhecido internacionalmente por sua luta pela reforma agrária e organização de comunidades rurais em cooperativas, associações e agroindústrias, o MST defende o acordo como algo natural. E aponta que as críticas à iniciativa provêm de “setores conservadores que não admitem qualquer participação popular”, conforme acrescentou a Agência Brasil.