Um calouro de 17 anos de idade da Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo) acusa um grupo de veteranos da instituição de enfiar um funil em sua boca, embriagá-lo, e ainda jogar óleo de motor na cabeça dele. O caso aconteceu na tarde da última segunda-feira (9).
Segundo a vítima, a segurança da Fatec foi omissa ao não impedir o trote, que começou dentro da faculdade, na unidade do Bom Retiro, região central da capital paulista, e terminou do lado de fora, na rua.
Procurada pela equipe de reportagem, a Fatec negou que o trote tenha começado dentro da faculdade, mas repudiou as agressões aos calouros. Informou ainda que tenta identificar os responsáveis.
"O trote começou no pátio da Fatec sim. Seis veteranos nos obrigaram a sair em fila, com as mãos dadas por baixo das pernas dos outros diante dos seguranças que não fizeram nada para impedir", rebateu o aluno nesta quarta-feira (11).
O adolescente, que pediu para não ter seu rosto e nome divulgados porque teme represálias dos agressores, falou ainda que, já nas ruas perto da Fatec, os veteranos começaram as agressões. "Lá fora, os veteranos jogaram óleo de motor na minha cabeça junto com farinha. Colocaram ainda um funil na minha boca e me obrigaram a ingerir bebida alcóolica até ficar embriagado”, lembrou. "Até então eu nunca havia bebido. Sou menor de idade".
Ameaças
Filho de uma professora, o jovem disse que estava ansioso por ter passado no vestibular para mecânica de precisão na faculdade. A Fatec é pública e o curso dura três anos. Mas agora, ele falou que pensa em desistir. "Não voltei mais à aula. Estou com medo porque me ameaçaram. Os veteranos falaram que se eu contasse algo para a faculdade ou para alguém seria pior para mim”.
Na segunda-feira, quando os calouros saíram da Fatec, tiveram de caminhar embriagados e descalços no asfalto quente para pedir dinheiro aos motoristas parados nos semáforos. O dinheiro arrecadado foi entregue aos veteranos.
“Depois me levaram de novo para faculdade. E faculdade não fez nada. Fiquei jogado na escada. Uma funcionária me viu e telefonei para minha mãe ir me pegar”, disse o aluno.
Quando foi buscar o filho, a mãe dele, a professora Sonia Oliveira Caetano, telefonou para a PM (Polícia Militar). Junto com policiais militares, os dois foram à delegacia onde prestaram queixa.
Para Sonia, houve omissão da segurança da Fatec no episódio. “Não impediram que veteranos retirassem calouros, que não queriam participar do trote, de dentro do prédio”, disse ela que, no entanto, negocia a transferência do filho para outra unidade. "Sugeriram que ele continue na Fatec, mas em outro prédio".
Fatec
Por meio de nota, a assessoria de comunicação do Centro Paula Souza, responsável pela Fatec, informou que "a instituição repudia veementemente práticas violentas ou constrangedoras na recepção dos calouros. A denúncia de trote envolvendo aluno da Fatec São Paulo fora das dependências da unidade está sendo apurada por meio de sindicância aberta ontem, dia 10, para identificar os responsáveis e tomar as providências cabíveis."
"Desde 2007 a Fatec São Paulo promove o trote solidário na volta às aulas, com aula inaugural, doação de alimentos, entre outras atividades. O Centro Paula Souza incentiva ações como essas em todas as suas unidades", termina a nota.