Responsável pelas ações penais na Lava Jato, o juiz Sérgio Moro negou nesta quinta-feira (23) pedido da CPI da Petrobras para ter acesso aos nomes de clientes e honorários de Beatriz Catta Preta, advogada de parte dos delatores do esquema de desvio de recursos da Petrobras investigado pela Operação.
A criminalista foi defensora de colaboradores como o ex-consultor da Toyo Setal, Julio Camargo. Ele informou à Justiça que foi pressionado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a pagar US$ 5 milhões em propinas por contratos com a estatal.
Na decisão, Moro afirma que, em caso de resposta positiva da Justiça, seriam gerados "constrangimentos aos acusados e defensores, não se vislumbrando, com facilidade seu propósito, especialmente quando concentrados [naqueles] que resolveram colaborar com a Justiça e nenhum outro”. Para o magistrado, trata-se de uma “especulação abstrata”.
A decisão acontece na mesma semana em que Catta Preta deixou a defesa dos seus clientes na Lava Jato. Mesmo negando o pedido da CPI, o magistrado ainda quer a opinião da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e do MPF (Ministério Público Federal).