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Duque tem primeira reunião para acordo de delação

05 de agosto 2015 - 20h33 Por Do G1/Douranews
Duque tem primeira reunião para acordo de delação

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque participou nesta quarta-feira (5), em Curitiba, da primeira reunião com procuradores do Ministério Público Federal com o objetivo de fechar um acordo de delação premiada. Duque quer colaborar com as investigações em troca de redução de pena.

A defesa do ex-diretor não comenta o conteúdo da reunião. Mas investigadores confirmaram que é o início oficial das tratativas para que Duque se torne delator e entregue o que sabe sobre o esquema de corrupção na Petrobras, investigado na Operação Lava Jato.

Preso na Lava Jato, Duque só será considerado delator oficialmente quando assinar o termo de colaboração com o Ministério Público, com cláusulas como pagamento de multa e regime de prisão que ele poderá ter até a sentença.

Ao determinar a prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, afirmou que as provas levantadas pela operação indicam que Renato Duque foi indicado para o cargo por influência de Dirceu.

Duque responde a vários processos derivados da Lava Jato. O mais recente foi aceito pela Justiça Federal na última sexta-feira (31). Junto com o empresários Júlio Camargo e João Antônio Bernardi, o ex-diretor da Petrobras vai responder por crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo um dos delatores da Lava Jato, Pedro Barusco, Duque chefiava um dos grupos que fraudava licitações da estatal. Parte do dinheiro, segundo os relatos, ficava com os envolvidos no esquema e outra parte era destinada a partidos da base aliada do governo. No caso da área de Duque, as propinas, de acordo com os delatores já ouvidos, iam diretamente para o PT, sem divisão entre outras legendas. o partido tem negado as irregularidades.

O novo advogado de Renato Duque, Marlus Arns, participou dos acordos de delação premiada de Eduardo Leite e Dalton Avancini, ligados à construtora Camargo Corrêa.

Na última sexta, a empresa firmou um acordo de leniência com o Ministério Público, no qual se comprometeu a fornecer provas, em troca de não ser impedida de fechar novos negócios com o poder público.

Acusações contra Duque
Preso na Operação Lava Jato, Duque já responde a ações na Justiça por acusações de fraude a licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal, na condição de diretor de Serviços da Petrobras entre 2003 e 2012, ele permitiu que empresas fornecedoras formassem cartel para combinar preços e dividir obras e recebeu propinas.

Funcionário de carreira da Petrobras, ele chegou à Diretoria de Serviços por indicação de membros do PT. Conforme os delatores, essa indicação era mantida com a troca de favores. No caso da Petrobras, as investigações da Lava Jato mostraram que esses favores eram propinas para partidos e políticos da base aliada do governo no Congresso.

Desde que as suspeitas contra Duque começaram a aparecer, a defesa do ex-diretor da Petrobras sempre negou as acusações. À Comissão de Ética Pública da Presidência da República, que aplicou "censura ética" a Duque, a defesa do ex-diretor questionou a "precariedade" das provas obtidas contra ele por meio de delação premiada de investigados da Lava Jato.