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Decretada prisão da mãe e padrasto de menino achado em freezer

16 de setembro 2015 - 12h15 Por Do G1/Douranews
Decretada prisão da mãe e padrasto de menino achado em freezer

A Justiça de São Paulo decretou a prisão da mãe e do padrasto do menino Ezra Liam Joshua Finck, de 7 anos, que foi encontrado morto no freezer do apartamento onde morava, na República, região central da capital paulista. Eles são suspeitos de matar o garoto, esconder o cadáver e fugir do país.

Câmeras do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, registram o casal Lee Ann Finck e Mzee Shabani com as duas filhas. A gravação  mostra a família passando pelo saguão no dia 3 de setembro, pouco antes de embarcar em um voo para a África. O corpo de Ezra foi localizado um dia depois.

A juíza que cuida do caso, Ana Helena Rodrigues Mellim, justificou o pedido de prisão preventiva dizendo que "os investigados têm em seu poder mais duas crianças de pouca idade e que podem sofrer a mesma absurda violência pela qual passou esse menino antes de ser morto por quem tinha o dever de protegê-lo".

A magistrada afirma que, durante as investigações, uma testemunha contou que Shabani confessou, por telefone, que a mulher “se excedeu e matou a criança e que ela estaria dentro de um freezer. Disse, por fim, antes de desligar o telefone, que fugiram para a África”.

No documento, ela pede, ainda, para que a Interpol seja informada sobre o mandado de prisão. O objetivo é incluir o casal no alerta vermelho da instituição internacional, o que causaria a divulgação dos dados dos dois para outros países e facilitaria a localização deles. Até as 22h desta terça-feira (15), porém, o nome da mãe e do padrasto não constava no site de Interpol.

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos de São Paulo, o casal poderia responder pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. “Dessa forma, poderiam pegar até 30 anos de prisão.”

Ele disse, porém, que considera difícil que os dois sejam julgados no Brasil. “Como fugiram do país, a possibilidade de serem punidos são remotas, já que dependerá de acordos de extradição ou de cooperação internacional entre Brasil, Tanzânia e África do Sul, por exemplo. Mas esperamos que sejam responsabilizados pelo crime bárbaro e cruel que cometeram.”

Investigações
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, informou que foram solicitadas à Polícia Federal informações do destino da mãe e do padrasto do menino. "Obviamente o casal é foragido, agora está fora do território nacional", disse.

"Estando fora do território nacional o que a Polícia de São Paulo pode fazer é continuar as investigações, trocar essas informações, verificar para onde foram e eventualmente a partir de tratados internacionais não só pedir o auxílio da Interpol, mas pedir via Ministério da Justiça a extradição dessas duas pessoas", disse. O DHPP aguarda o laudo necroscópico para saber a causa e a data da morte do menino.

Imagens de câmeras de segurança do prédio onde morava a família mostram que, no dia 28 de agosto, o freezer foi carregado da loja de doces de Mzee, no térreo, até o apartamento deles. No local moravam o menino, a mãe dele, o padrasto de 26 anos e duas irmãs, filhas do casal, segundo o boletim de ocorrência.

Seis dias antes, no dia 22, as mesmas câmeras registraram o Ezra entrando no hall do prédio e, em outro momento, cumprimentando um vizinho.