O corpo de Antônio Prisco de Souza, de 74 anos, foi reconhecido nesta sexta-feira (11) pelos familiares em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.
Ele era uma das pessoas que desapareceram depois do rompimento da barragem de Fundão, no dia 5 de novembro. A estrutura pertencia a mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Biliton.
Conhecido como "seu Totó", ele era morador de Bento Rodrigues, distrito destruído pelo "mar de lama". Segundo a Polícia Civil, o corpo dele foi encontrado pelos bombeiros nesta sexta-feira. O corpo foi encontrado a 20 quilômetros de Bemto Rodrigues, no distrito de Camargos.
Mesmo com o reconhecimento, Carlos Reis diz que o alívio não é completo. “Por um lado é bom porque achou o corpo dele, mas, por outro, é ruim porque perdemos ele”, lamenta.
O morador de Bento Rodrigues, o mais velho das vítimas da tragédia, não se casou e não teve filhos. Usava sempre uma touca, que tampava os cabelos longos, mais ou menos na altura dos ombros, e que só eram revelados na hora em que ia tomar banho.
Totó morava com a irmã em uma das primeiras casas atingidas. Ele foi alertado sobre a aproximação da lama, porém, segundo o sobrinho, de onde estava, não conseguir ouvir o aviso.
Três pessoas continuam desaparecidas. Ailton Martins dos Santos e Vando Maurílio dos Santos eram funcionários terceirizados e prestavam serviço para a mineradora. Já Edmirson José Pessoa era empregado da Samarco.
No dia 5 de novembro, mais de 30 milhões de m³ foram despejados pela barragem, afetando vários distritos, 35 cidades em Minas Gerais e no Espírito Santo, além de contaminar o Rio Doce.
Inquérito
Até agora, 48 pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil. O delegado Rodrigo Bustamante, que preside o inquérito que investiga as causas e os responsáveis pelo desastre, interrogou o presidente da Samarco, Rodrigo Vescovi, além de técnicos, funcionários que trabalhavam em Fundão no momento do rompimento e familiares das vítimas.