Delegado federal Sandro Vianna foi preso em operação da Polícia Federal — Reprodução/RPC
A 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, concedeu habeas corpus parcial ao delegado federal Sandro Vianna, substituindo a prisão preventiva, que é por tempo indeterminado, por medidas cautelares, em decisão da última terça-feira (4).
Vianna foi preso dia 25 de fevereiro em Londrina, no norte do Paraná, quando dividia uma propina de R$ 35 mil com um intermediador, Clodoaldo Pereira dos Santos – diretor de uma empresa de segurança conhecido como Tigrinho – que o auxiliou a extorquir o dinheiro de um empresário da cidade, segundo as investigações.
Tigrinho continua preso em Londrina e Sandro Vianna foi levado pra Brasília (DF).
Os membros da 7ª Turma do TRF4 analisaram os pedidos das defesas dos dois suspeitos presos, em sessão realizada nesta terça e decidiram, por maioria, revogar a prisão preventiva dos dois e adotar medidas cautelares.
No entanto, o extrato da ata da sessão desta terça, publicada no sistema eletrônica do TRF4, não espeficia quais medidas cautelares são aplicadas aos investigados.
A decisão contraria o entendimento do desembargador federal Márcio Antônio Rocha que, em 13 de março, havia negado o habeas corpus porque considerou haver elementos de materialidade e autoria do crime de corrupção.
O que dizem as defesas
O advogado de Clodoaldo Pereira dos Santos, Antonio Marcelino Espírito Santo, informou ao G1 que ainda não teve acesso aos votos e, por isso, não sabe quais as medidas cautelares serão aplicadas ao seu cliente.
Ele afirmou que esta é a primeira decisão que vai, definitivamente, ajudar a provar o que aconteceu. Segundo o advogado, “foi uma situação preparada pelo empresário, pela suposta vítima, para se livrar de crimes que o delegado Sandro estava investigando”.
Operação Corrumpere
A Operação Corrumpere foi realizada pela Polícia Federal (PF) de Brasília (DF), em 25 de fevereiro. De acordo com a polícia, Tigrinho teria recebido o dinheiro de um empresário a pedido do delegado Sandro Vianna.
Documentos obtidos pelo Paraná TV mostram que o empresário foi absolvido na Operação Publicano – que apura um suposto esquema de fraude milionária na Receita Estadual do Paraná – porque colaborou com a investigação. Apesar da absolvição, ele passou a responder pelos mesmos crimes em outro inquérito policial sob responsabilidade do delegado Sandro Vianna.
A propina, segundo a PF, serviria para o delegado arquivar esse inquérito. A equipe de inteligência da PF passou a monitorar as negociações e gravou conversas telefônicas com autorização da Justiça.
Numa delas, Tigrinho diz ao empresário que o delegado não iria “atrapalhar a vida de um cara bom”.
Questionado sobre o custo para um acerto, Tigrinho respondeu que o delegado “não, ele falou assim, ele sabe quanto vale, entendeu!”.
Em outra gravação, Tigrinho liga direto para o delegado. Veja um trecho da conversa:
“delegado Sandro Vianna: Fala Tiger!
Tigrinho pergunta: como que entra aqui?
Delegado Sandro Vianna: tô descendo aí... te pegar! tô descendo aí!”
Segundo o inquérito, trata-se de um encontro, que ocorreu em 6 de fevereiro de 2017, nas dependências da delegacia da PF, em Londrina.
A propina teria sido acertada em seguida e, duas semanas depois, os dois tiveram a prisão preventiva decretada.