Renan deixa a liderança do PMDB no Senado — Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Renan Calheiros (AL) anunciou na última quarta-feira (28) em plenário que decidiu deixar a liderança do PMDB no Senado. A escolha do novo líder será no próximo dia 4.
Segundo a colunista do G1 Andréia Sadi, o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), articula para o senador Garibaldi Alves (RN) assumir o posto. Garibaldi, porém, nega interesse na vaga e defende que Raimundo Lira (PB) substitua Renan.
Discurso de Renan
No discurso, de pouco mais de 15 minutos, Renan Calheiros disse, ainda, que não "detesta" Michel Temer, mas não "tolera" a postura "covarde" do presidente de "desmonte" das leis trabalhistas.
Ao avaliar que a situação política do país é "gravíssima", o senador acrescentou, na sequência, que a crise tem se aprofundado todos os dias e, por isso, cabe ao Congresso Nacional defender os interesses do país, sem que os parlamentares se apeguem a cargos no governo.
"Não detesto Michel Temer. Não é verdade o que dizem. Longe disso. Não tolero é a sua postura covarde diante do desmonte da Consolidação do Trabalho. A situação econômica e política do país é gravíssima. Todos os dias vemos o aprofundamento do caos e começamos a trilhar um preocupante caminho que, ao longo da história do Brasil, nunca acabou bem"
O Palácio do Planalto informou que não comentará as declarações de Renan.
Em outro momento, durante entrevista a jornalistas, o senador disse, ainda, que o governo "é como cobra, até morto faz medo".
Influência de Cunha
No pronunciamento desta quarta, Renan voltou a dizer, como tem feito desde o início do ano, que o governo de Michel Temer é influenciado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba.
"Como mudar o pensamento de um governo comandado por Eduardo Cunha?"
Renan, então, se referiu às delações de executivos da JBS segundo as quais Temer deu aval para pagamentos de propina a Cunha para evitar que o ex-deputado feche acordo de delação - o presidente nega.
Na sequência, o senador disse que o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), aliado de Temer, cometeu "ledo engano" ao dizer em Cunha estava "politicamente morto". Os "últimos acontecimentos", acrescentou Renan, mostram que o deputado, mesmo preso, nomeou ministros e deu ordens ao governo.