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PGR cita 'incontáveis' presos doentes ao se opor ao pedido de prisão domiciliar de Picciani

16 de março 2018 - 14h15 Por Gabriel Barreira/G1
PGR cita 'incontáveis' presos doentes ao se opor ao pedido de prisão domiciliar de Picciani

Procuradoria Geral da República se opôs ao pedido de prisão domiciliar feito pela defesa do deputado estadual Jorge Picciani (MDB) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto ainda presidia a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o parlamentar teve um câncer diagnosticado e retirou a próstata e a bexiga.

Advogados do deputado argumentam que ele retirou um tumor maligno e carece de tratamento pós-operatório, tendo risco de infecção generalizada. O STF chegou a determinar que uma perícia médica independente fosse realizada na penitenciária.

Em documento obtido pelo G1 e assinado pela subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, a PGR afirma que "não há razão para que o paciente seja beneficiado com tratamento diferente do que é conferido a outros presos em situação similar à sua". Afirma ainda que o "sistema prisional registra incontáveis casos de presos doentes".

"É de se ter presente que a situação carcerária do paciente, por ser preso com prerrogativa de foro, não se iguala a da grande massa que superlota os presídios no Rio de Janeiro. O tratamento é qualitativamente melhor. O paciente está no Presídio de Benfica, em ala reservada para os presos da Lava Jato, sem contato com os demais presos. A cela tem banheiro privativo e, segundo notícia da imprensa, é ocupada apenas pelo paciente e seu filho Felipe".

No documento apresentado pela defesa, assinado por criminalistas como Nélio Machado, os advogados reclamam de "constrangimento ilegal flagrante" e "certa insensibilidade" do Ministério Público.

"Estado de saúde do Paciente (Picciani) está cada vez pior, apresentando, nos últimos dias, febre constante, acompanhada de vômitos e desidratação".

Já o Ministério Público Federal rebate dizendo que os sintomas de Picciani são inerentes à doença e que não são consequência da prisão.

'Monumental esquema de corrupção'

Há dois meses, em outro documento obtido pelo G1, a subprocuradora também emitiu parecer pela continuidade da prisão de Picciani. À época, os advogados ainda não haviam pedido o habeas corpus com base no quadro de saúde.

Naquele parecer, o MPF diz ter havido na Alerj um "monumental esquema de corrupção" iniciado nos anos 90 que durou até 2017. Picciani é acusado de receber propina para defender interesses de empresários de ônibus na Alerj, lavando dinheiro inclusive através da compra e venda de gado.

Ele, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do MDB, teriam recebido mais de R$ 100 milhões no que ficou conhecido como "caixinha da Fetranspor".