A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) começou a elaborar um estudo para implantação da "Casa da Criança', em Campo Grande. Semanas após a morte da menina Sophia Jesus Ocampo, de 2 anos, o projeto visa a proteção à criança e ao adolescente vítima de violência doméstica.
O titular da Sejusp, Antonio Carlos Videira, informou que o atendimento seria nos moldes da Casa da Mulher Brasileira que reúne, em só lugar, vários serviços de segurança pública. O estudo de viabilidade de construção da Casa da Criança foi solicitado hoje e será coordenado pelo Delegado-Geral da Polícia Civil Roberto Gurgel de Oliveira Filho.
Há pouco mais de dez dias, a morte da menina Sophia chocou moradores de Campo Grande e é alvo de investigação da Polícia Civil. Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto da menina, estão presos preventivamente pelos crimes de homicídio qualificado e estupro de vulnerável.
Videira explicou que o delegado terá em média 30 dias para concluir o projeto, que será apresentado ao Ministro da Justiça Flávio Dino.
Enquanto a ideia não sai do papel, o titular da Sejusp informou que pretende ampliar o atendimento na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para 24 horas, contudo, essa ampliação do horário seria por meio da implantação de um núcleo de atendimento, aos fins de semana, na Casa da Mulher Brasileira.
"Na Depca, pretendemos usar aquela estrutura para ampliar a capacidade de atendimento até a criação da Casa da Criança, estamos trabalhando em um projeto para levar para o Governo Federal e para o município", disse o titular.
Caso Sophia
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Sophia morreu aos 2 anos. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução
Em depoimento, a mãe de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, confirmou que sabia que a menina estava morta quando procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, no dia 26 de janeiro.
“O médico legista constatou que Sophia foi morta entre 9h e 10h do dia 26 de janeiro, sendo que ela foi encaminhada para a UPA somente às 17h. No período da tarde, ela já estava morta, e a mãe e o padrasto estavam em casa”, disse a delegada Anne Karine Trevisan.
O laudo de necrópsia do corpo da menina, emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), apontou que a causa da morte foi por traumatismo na coluna cervical e confirmou que a Sophia foi estuprada.
A delegada responsável pelo caso informou ainda que durante o período que a menina estava em casa, já sem vida, a mãe e o padrasto tentaram criar uma narrativa que explicasse a morte. “Durante o depoimento, a mãe disse que a Sophia tinha passado mal, estava com a barriga inchada por ter comido muita maionese. O padrasto ficou em silêncio e não quis se manifestar”.
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Suspeitos de cometerem o crime tiveram a prisão temporária convertida em preventiva — Foto: Redes sociais
A quebra de sigilo telefônico do casal mostra que os dois sabiam das implicações da morte da menina de 2 anos e 7 meses e tentavam criar uma história para contar à polícia. “Inventa qualquer coisa, diga que ela caiu no parquinho”, escreveu o padrasto da criança.
Na casa onde a criança morava, bitucas e caixas de cigarro foram estavam espalhadas na varanda. Havia também garrafas de bebidas alcoólicas.