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Com apoio do Governo aos biocombustíveis, usinas de etanol batem recorde de produção

19 de dezembro 2023 - 09h03 Por Agência de Notícia
Com apoio do Governo aos biocombustíveis, usinas de etanol batem recorde de produção Plantação de Cana-de-Açucar — Bruno Rezende

As usinas de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul registraram uma recuperação notável no processamento da matéria-prima, atingindo a marca de 46,3 milhões de toneladas de cana nesta safra, representando um aumento de 3,8% em relação à temporada anterior.

Comparando o mesmo período do ciclo anterior (de abril a novembro), houve um incremento de 16,6% no processamento da matéria-prima. Esses dados foram divulgados pela Biosul (Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul).

O desempenho positivo na safra de cana, somado à previsão de R$ 5 bilhões em investimentos nas plantas de etanol de cana e milho no estado, fortalece a expectativa da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) em alcançar o status de Estado Carbono Neutro em 2023.

Jaime Verruck, secretário da pasta, destacou uma série de medidas adotadas pelo Governo de Mato Grosso do Sul para impulsionar o crescimento desse setor. Uma delas foi a autorização concedida às usinas produtoras de etanol para utilizarem créditos do ICMS, acumulados de operações de etanol anidro nos últimos anos.

Esses créditos são parte de acordos fiscais entre o Governo Estadual e as indústrias sucroenergéticas que, desde o início de suas operações, têm créditos a serem resgatados junto à Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).

O Governo estadual manifestou a intenção de valorizar os biocombustíveis produzidos em Mato Grosso do Sul, provenientes de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar e o milho, com baixa emissão de carbono.

Para transferir o saldo credor de ICMS, as usinas sucroenergéticas poderão, mediante autorização da Sefaz, utilizar o crédito em estabelecimentos também contribuintes em Mato Grosso do Sul. Entre as condições, estão novos investimentos que promovam o desenvolvimento econômico e social, além da contribuição ao Fundo Estadual de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (PRÓCLIMA) com 1,5% do valor do crédito autorizado para transferência.

Verruck enfatizou a importância estratégica do setor de Bioenergia na política estadual de agregar valor à produção com sustentabilidade, mencionando os diversos investimentos previstos para o segmento, incluindo a inauguração da Neomille em Maracaju e a segunda planta da Inpasa em Sidrolândia.

Ele também ressaltou a evolução das usinas na produção de biocombustíveis, citando iniciativas como a produção de etanol de segunda geração pela Raízen e os investimentos da Adecoagro em hidrogênio verde. Isso demonstra o avanço do setor em práticas de sustentabilidade e busca pela neutralidade de carbono.

Érico Paredes, diretor-executivo da Biosul, atribuiu o resultado positivo a condições climáticas favoráveis ao longo do ano, que permitiram às usinas avançarem nos cronogramas de colheita, preservando a qualidade da matéria-prima e estendendo os trabalhos nas lavouras. O ciclo em andamento se encerrará em 31 de março de 2024.

Destaca-se ainda o aumento na concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), atingindo 142,50 kg por tonelada de cana, sinalizando uma melhoria na qualidade da matéria-prima, com uma média 3,32% superior ao ciclo anterior.

A produção de açúcar ultrapassou 2 milhões de toneladas, um incremento de 55% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, estabelecendo-se como um importante produto de exportação e contribuinte significativo para a receita da balança comercial do Estado.

Quanto à produção de etanol, alcançou 3,2 bilhões de litros até 30 de novembro, sendo 2,2 bilhões de litros de etanol hidratado e 1 bilhão de litros de etanol anidro, originados tanto da cana-de-açúcar quanto do milho, com um aumento de 25% e uma diminuição de 1%, respectivamente, em comparação ao mesmo período do ciclo anterior.

A geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar também apresentou um aumento significativo, exportando 1,4 milhão de MWh (Megawatt-hora) para o Sistema Interligado Nacional (SIN), um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período de 2022, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Essa recuperação na produção e produtividade dos canaviais de Mato Grosso do Sul é um marco relevante para o setor sucroenergético, que vive a sua terceira fase de expansão no estado, fortalecendo sua posição como o 4º maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil. O setor conta com 18 indústrias sucroenergéticas em operação e quatro projetos em andamento.

O incremento na produção de etanol de milho no último ano, que antes era produzido apenas a partir da cana-de-açúcar, mostra-se cada vez mais relevante para o estado, sendo uma atividade de alto investimento alinhada com os critérios de sustentabilidade, contribuindo para a movimentação de outros setores da cadeia produtiva e consolidando a aptidão do estado como produtor de energia limpa e renovável.

De acordo com a Biosul, os avanços na produção sucroenergética e os novos investimentos no estado impulsionam ainda mais a contribuição do setor na geração de empregos, no desenvolvimento das regiões onde as usinas estão instaladas e na participação da receita da balança comercial do estado.