Bolsonaro e Michelle seguem sendo investigados — Evaristo Sá/AFP/Getty Images
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usaram as contas das esposas em transações para evitar bloqueios de recursos, segundo revela gravações capturadas do telefone celular apreendido pela Polícia Federal com o ex-presidente.
Os investigadores ainda afirmam que Eduardo fez dois repasses para Heloísa Bolsonaro "como forma de escamotear" os valores antes encaminhados a ele pelo pai. O ex-presidente transferiu ao menos R$ 2 milhões ao filho em maio, e antes havia realizado seis repasses por Pix a Eduardo que totalizam R$ 110 mil.
Bolsonaro também transferiu R$ 2 milhões para Michelle Bolsonaro no dia 4 de junho, um dia antes de prestar depoimento à PF. Ele não informou aos investigadores os repasses por Pix a Eduardo e sobre a transferência para Michelle, diz a PF.
As movimentações financeiras foram citadas no relatório em que a PF indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sob suspeita de obstrução do julgamento em torno das investigações do caso denominado como 'trama golpista', em curso no STF (Supremo Tribunal Federal).
Para a PF, a análise das transações aponta que Jair e Eduardo utilizaram "diversos artifícios para dissimular a origem e o destino de recursos financeiros, com o intuito de financiamento e suporte das atividades de natureza ilícita do parlamentar licenciado no exterior".