Pressão, risco de vexame, maldições, lembranças de fiascos e jogadores que foram crucificados, como Guinei ou Coelho. A independência corintiana desse tipo de noticiário em jogos de Copa Libertadores veio em 4 de julho de 2012, logo depois de superar o bicho-papão Boca Juniors e conquistar seu primeiro título. O cenário para esta quarta-feira (20), quando estreia pela defesa da taça às 22 horas (pelo horário de Brasília) contra o San José-BOL, em Oruro, é completamente diferente.
As preocupações de Tite, que ainda conta com 14 dos jogadores campeões de 2012 no elenco, se restringem às dificuldades de atuar na maior altitude da Libertadores deste ano. Oruro fica a pouco mais de 3700 metros do nível do mar e exige, entre outras particularidades logísticas, duas viagens de avião. O grupo corintiano ficará concentrado em Cochabamba, onde não há altitude, e só vai ao local do jogo a quatro horas de a bola rolar.
Tite, ouvido depois do empate contra o Palmeiras no domingo, e Renato Augusto, que concedeu entrevista coletiva na segunda-feira, antes do embarque para a Bolívia, simplesmente não responderam perguntas sobre uma eventual pressão pelo bicampeonato. Tudo porque, se já não bastasse a conquista continental de 2012, o time ainda levou o Mundial de Clubes e, com sua base titular, não perdeu neste ano.
Bicampeão consecutivo
Com força econômica e harmonia no vestiário, o Corinthians conseguiu o que já foi mais difícil para as equipes brasileiras que vencem a Libertadores. Manteve praticamente todos os titulares importantes, exceção feita a Alex e Leandro Castán, e ainda buscou reforços de peso. Foram investidos mais de R$ 50 milhões, em janeiro, para ter o zagueiro Gil, o meia Renato Augusto e, principalmente, Alexandre Pato. Só ele custou R$ 40 milhões.
De acordo com a Pluri Consultoria, o Corinthians tem o elenco mais valioso entre os 32 que disputam a edição 2013 da Libertadores - avaliado em R$ 261 milhões. É seguido pelo São Paulo, com R$ 245 milhões, e pelo Fluminense, com R$ 217 milhões. Alexandre Pato (1º), Paulinho (2º) e Renato Augusto (6º) estão entre os jogadores mais valiosos do torneio.
O objetivo de quem conseguiu segurar especialmente Paulinho e Ralf é o bicampeonato da Libertadores, feito atingido oito vezes na história, mas cada vez mais raro. Nas últimas três décadas, só o São Paulo (92-93) e o Boca Juniors (2000-01) venceram o torneio consecutivamente.
Um dos fatores que faz o Corinthians acreditar é sua invencibilidade na competição que alcançou 14 jogos na partida do título contra o Boca Juniors. América de Cali-COL, em 1980 e 83, chegou a 15, e Sporting Cristal-PER, em 62, 68 e 69, a 17. Nenhum dos dois, entretanto, levantou a taça em seu respectivo período. Com informações do Terra